10 mortos: Massacre em escola de Suzano choca o País

Testemunhas descrevem cenas de guerra em massacre que matou cinco adolescentes e mais três adultos, além dos próprios criminosos. Prefeitura de Suzano decreta luto oficial de três dias

 

Por Gabriel Dias / Fotos: Bruno Arib

 

Ao menos dez pessoas foram mortas em um massacre na Escola Estadual Raul Brasil, no Jardim Imperador, em Suzano, na manhã desta quarta-feira (13). A chacina envolveu cinco adolescentes, duas funcionárias da escola e o dono de uma locadora de veículos que fica alguns metros à frente do colégio. Os disparos foram feitos por um jovem de 17 anos e outro de 25, ex-alunos da escola.

De acordo com o secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, General João Camilo Campos, a dupla de atiradores portava uma arma calibre 38, uma arma besta, um arco e flecha, um machadinho, e recarregadores de armas. Ao final do massacre, quando a PM (Polícia Militar) chegou, Guilherme e Luiz Henrique se mataram – segundo as investigações, um dos atiradores primeiro matou seu parceiro e depois se matou.

Histórico divulgado sobre os atiradores dá conta de que o mais novo, Gilherme Monteiro, parou de estudar na escola Raul Brasil em 2018, por sofrer bullyng no colégio. O outro atirador, Luiz Henrique Castro, também foi aluno do mesmo colégio.

 

ENTENDA O CASO – Segundo as autoridades, antes de chegarem ao colégio, os assassinos foram até a locadora de automóveis de João Antônio Moraes, 51, tio de Guilherme. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, Moraes foi a primeira vítima da dupla dos atiradores. Ele levou um tiro e morreu no hospital, em Suzano.

Após o episódio, a dupla se direcionou até a escola. Autoridades revelaram à imprensa que os portões do local estavam abertos, e os criminosos entraram no espaço. Imagens mostram que ao entrarem no colégio eles não estavam encapuzados, e logo atiraram contra duas inspetoras, Marilene Ferreira Vieira Umezu, 59, e Eliane Regina de Oliveira Xavier.

Em seguida, os atiradores começaram a perseguir os alunos que estavam no pátio do colégio durante o intervalo. Alguns, em entrevista à GAZETA, contaram ter achado que os barulhos de tiro fossem bombinhas, mas se deram conta que se tratava de um ataque ao notarem uma jovem (aluna) cair no chão com um tiro nas costas.

Everton, 17, conta que ouviu os barulhos. Ele estava ao lado de Gabriel Flauzino, 18, ambos da mesma sala, o 3ºA. Eles revelaram que houve muita correria, e os atiradores não tinham alvos direcionados. “Eles chegaram e começaram a atirar. Os alunos correram para vários lados, e os atiradores perseguiram o maior grupo”, contam. Everton e Gabriel eram amigos de Claiton Antônio, que foi morto no massacre.

Maiara Ketlin, 15, também aluna do Raul Brasil, revela ao jornal que um dos atiradores portava uma camiseta do colégio. Maria Paula, 16, acrescenta que ao notarem a correria os alunos começaram a pular o muro dos fundos da escola. Alguns alunos se esconderam em casas próximas ao colégio.

Uma outra jovem, que não quis se identificar, fala que se escondeu com outras meninas no banheiro feminino. “Nos escondemos e permanecemos quietas. Escutávamos do lado de fora muita gritaria, inclusive reconhecemos as vozes de alguns professores pedindo socorro, e para que os atiradores abaixassem as armas e que pelo amor de Deus não fizessem isso.”

 

SUSPEITAS – A Polícia Civil investiga as causas que levaram os dois atiradores a realizarem o massacre na escola Raul Brasil. Durante todo o dia, informações das possíveis causas do massacre circularam na imprensa. Uma delas chamou atenção dos jornais: a de que Guilherme Monteiro e Luiz Castro participavam de um Fórum veiculado a um suposto grupo extremista.

Nas mensagens do Fórum, havia um usuário que conversava com a dupla, chamado de “DPR”. O texto que antecedeu o massacre revela detalhes de um crime premeditado: “Muito obrigado pelos conselhos e orientações. Esperamos do fundo dos nossos corações não cometer este ato em vão. Todos nós e principalmente o recinto será citado e lembrado. Nascemos falhos, mas partiremos como heróis. O contato nos trouxe tudo dentro dos conformes. Ficamos espantados com a qualidade, dignas de filmes de Hollywood. Infelizmente não existe locais para testarmos e tudo acontecerá de forma natural, com a aprendizagem no momento do ato. Fique com Deus, meu mentor. O sinal será a música no máximo três dias depois estaremos diante de Deus, com nossas sete virgens. Levaremos a mensagem conosco”.

Os acusados do crime

Cadernos com anotações do que seria um jogo dando origem ao massacre também foi encontrado pela Polícia, e que também passará por investigação.

De acordo com o secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, General João Camilo Campos, as investigações continuam. Ele lembrou outros casos de massacres no Estado. “Em São Paulo foram três casos como esse. Um foi em um shopping de São Paulo, outro em uma Igreja de Campinas, e agora em Suzano”, diz.

Autoridades estaduais durante coletiva de imprensa

 

NOMES DOS MORTOS – Pablo Henrique Rodrigues, Cleiton Antônio Ribeiro, Caio Oliveira, Samuel Melquíades Silva de Oliveira, Douglas Murilo Celestino, Marilene Ferreira Vieira Umezu, Eliana Regina de Oliveira Xavier, Jorge Antônio Moraes, Guilherme Monteiro (atirador) e Luiz Henrique Castro (atirador).

 

FERIDOS – Letícia Melo Nunes, Samuel Silva Felix, Beatriz Gonçalves, Anderson Carrilho de Brito, Murilo Gomes Louro Benite, Jennifer Silva Cavalcanti, Leonardo Vinicius Santana, Jorge Antônio de Morares e Guilherme Ramos.

Jorge Antônio e Murilo Gomes foram transferidos para o Hospital do Coração. Já Jennifer Silva foi encaminhada para o Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes, em estado grave. Os removidos para o Hospital Santa Maria são a Leticia Nunes, Samuel Felix e Anderson Brito.

 

AUTORIDADES – Mais cedo, o governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), falou com a imprensa e disse dar total apoio a todos os familiares envolvidos no caso. “Estou comovido com a atuação destes jovens. Nunca vi uma cena como esta, e estou completamente triste. É um dia triste para Suzano e para o Estado de São Paulo”, disse Doria.

Governador João Doria (PSDB) esteve no local da tragédia ainda pela manhã

 

Em entrevista à Rádio CBN, o prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi (PR), também disse que dará o suporte para os familiares das vítimas. A administração municipal disponibilizou a Arena Multiuso, do Parque Max Feffer, para o velório das vítimas.  

 

LUTO OFICIAL – Em razão do ataque, a Prefeitura de Suzano informou que decretou luto oficial de três dias consecutivos na cidade.

A Câmara de Suzano decretou luto oficial por três dias no Legislativo, contados a partir de hoje (13). Por este motivo, a sessão ordinária, que seria realizada a partir das 18 horas, foi transferida para segunda-feira (18).

Confira mais fotos do caso abaixo:




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