A corrupção e o papel da escola

Ricardo Corrêa é tecnólogo industrial e especialista em Educação Superior. Foto: Divulgação
 
Por Ricardo Corrêa

 

Estamos vivenciando momentos críticos na política nacional, as inúmeras denúncias de corrupção parecem intermináveis. Nem me lembro à última vez que assisti a algum noticiário que não tenha falado sobre esse assunto. Você se lembra?

Pelo “andar da carruagem” é possível que cheguemos a um estágio de “anestesia moral”, conformismo ou, em outras palavras, naturalização. Esse sentimento pela política se reforça no senso comum que considera a corrupção como atributo inato do ser humano. Do ponto de vista da cidadania, essa sensação pode produzir consequências negativas. Decerto que ao aceitarmos como natural a corrupção, estaremos endossando a qualidade precária dos serviços públicos oferecidos pelos governos, ou até mesmo, negligenciados. Por ser evidente que no âmbito da gestão pública, desvios de verbas e as relações escusas entre políticos e empresários, fazem da população suas maiores vítimas.

Sob a ótica filosófica, essas questões retomam a antiga discussão sobre as ações do indivíduo. Se as mesmas são condicionadas pela sua vivência ou são marcas intrínsecas no ser humano. Para o filósofo inglês Thomas Hobbes, a maldade do indivíduo faz parte da própria natureza humana; Jean Jacques Rousseau, filósofo alemão, imputava às ações do indivíduo ao condicionamento decorrente do meio social. Ainda assim, independente das opiniões expressas por ambos teóricos, quaisquer atitudes que vão de encontro aos princípios éticos esperados das pessoas, no convívio social, precisam ser devidamente combatidos.

Para além do campo punitivo, as soluções no combate à corrupção devem ser estruturais, ou seja, remediadas em sua fase prematura, quiçá na origem. Nesse caso, somente a educação por estar presente em várias fases do desenvolvimento humano, poderá contribuir para fomentar uma conduta ética das pessoas. Será no interior da escola a construção de uma educação de qualidade que tenha como pilares a formação cidadã e humana. E para esse propósito, será necessário revisitar os processos pedagógicos, orientando todo ensino para a não preocupação estrita do desenvolvimento das habilidades técnicas/profissionalizantes, mas que contemple a formação de indivíduos críticos e conscientes de seus direitos e deveres com o coletivo. Os indivíduos não aprendem corrupção nas salas de aula, mas é dentro dela que podem aprender a não praticá-la.




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