A dor da mãe que passou o Dia das Crianças longe dos filhos desaparecidos

Sumidos há mais de um ano, Eliane os vê apenas em fotos e diz  senti-los nos quartos vazios

 

Por Walmir Barros

 

O Brasil tem, em média, 250 mil desaparecimentos de pessoas por ano, sendo que desse total 40 mil são crianças e adolescentes. Muitos “somem” sem deixar vestígios.

A GAZETA conversou com a pensionista Eliane de Oliveira, de 41 anos, que vive esse drama desde 10 de julho de 2016, quando os filhos Luaine de Oliveira Jorge, 23 anos, e Erick Luan Jorge, 11 anos, entraram para a lista de desaparecidos. Para ela aquele dia não terminou: dura até hoje. “Vou encontrar os meus filhos, nem que seja a última coisa que eu faça. Não vou desistir.”

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A reportagem falou com a pensionista durante a manhã de quinta-feira (12), em sua casa, no Residencial Itapety, em Mogi das Cruzes. Eliane é uma mulher forte e a sua calma e tranquilidade não revela a dor duplicada pelo desaparecimento dos dois filhos e triplicada pela falta do marido Rogério Jorge, que morreu há cinco anos em decorrência de uma pneumonia.

“Os dois eram muito apegados”, contou, falando da aproximação do irmão e da irmã. “Tenho muita esperança que eles vão aparecer”, afirma. Diz que às vezes “chega a pensar no pior”, mas logo retoma as forças. “Eu sinto que eles estão em algum lugar, e vão voltar. Eles vão voltar, tenho fé, pra Deus nada é impossível.”

ANGÚSTIA – No dia do desaparecimento de Luaine e Erick a mãe estava no trabalho. Saiu de casa às 7h30, voltou às 17h30 e não encontrou os filhos. Luaine cuidava do irmão e quando saía com ele sempre avisava aonde iam: mas no dia 10 não avisou. Por causa da demora, a mãe começou a ligar para os celulares. Só dava caixa postal. Os vizinhos relataram que os dois haviam saído por volta do 12h30. Dois dias depois, encontraram os documentos de Luaine e alguns pertences de Erick. Já se passou mais de um ano e ainda não há nenhuma notícia do paradeiro do casal de irmãos.

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Desde então, a mãe só os vê nas várias fotos guardadas em casa – muitas delas estão espalhadas por todo o país, nos sites que trazem outros casos de desaparecidos.

Eliane também tem a “companhia” dos filhos nos objetos pertencentes a ambos: as roupas no quarto de Luaine e no dela – Erick dividia o quarto com a mãe, onde na cama ao lado tem uma porção de brinquedos do menino. Ela fala de outras coisas que sente: “uma sensação de luto”, e de novo ao recobrar as forças insiste: “Eu acredito que vou encontrá-los.”

 

Mães unidas pela dor

 

Eliane de Oliveira não está só na sua angústia diária. A agonia dela – que todos torcem por um final feliz, no reencontro com os filhos – é partilhada por outras centenas de famílias que buscam informações de parentes desaparecidos na Ong “Mães da Sé”. A organização – fundada em março de 1996 por Ivanise Esperidião da Silva – nasceu em frente à Catedral da Sé.

Em 18 anos de atuação, a instituição cadastrou mais de 10 mil casos no país. Desse total, cerca de 4 mil histórias tiveram final feliz. Mantida à base de doações, a entidade oferece atendimento psicológico, psiquiátrico e assessoria jurídica gratuita. O grande trunfo do trabalho, porém, é o apoio na divulgação das fotos. A Ong Mães da Sé fica à Rua São Bento, 370 – 9° andar, São Paulo.

 

Fique Sabendo
ESTATÍSTICA
40 MIL CRIANÇAS
somem por ano no Brasil

10 DE JULHO
de 2016 foi a última vez que Eliane viu os filhos

CONTATO
(11) 97377-2134 / 95607-2909 são os telefones para contato com a mãe

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