A fragilidade das instituições

Wagner Belmonte é professor universitário e jornalista

 

Por Wagner Belmonte

 

Às vésperas do primeiro mês da morte da vereadora Marielle Franco, o Ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, e o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro repetiram o discurso: “as investigações estão bem avançadas”, “estamos próximos de esclarecer”, blá-blá-blá… As declarações risíveis, que atestam um colossal despreparo, acabaram ofuscadas pelo STF.

Na votação do habeas corpus ao ex-presidente Lula, a instância máxima da justiça roubou a cena: os 6×5 desagradaram vencidos e vencedores. Os ministros do STF – Gilmar Mendes em especial – já não têm a menor credibilidade e o ceticismo cresce. Numa sessão de quase 12 horas, com votos extensos e uma linguagem que 90% dos brasileiros não compreendem, o que se assistiu foi um escárnio, uma humilhação, um show de egos, um rito gigantesco do “você sabe com quem está falando?”.

Os 6×5 também deixaram claro que o STF é um pequeno partido político, atuando fortemente para confundir a separação de poderes. Três “bancadas” ficaram evidentes: a do relator Edson Fachin, a de Gilmar Mendes e a de Carmem Lúcia.

Enquanto o STF assumia a sua vocação circense (conquistada com muito empenho para isso nos últimos anos), a polícia do Rio segue nas fracassadas investigações para descobrir os assassinos de Marielle. Fica a sensação, numa semana em que se vê a Justiça Federal e a polícia de um estado baterem cabeça, que o País perdeu o rumo, perdeu o brilho, perdeu tudo. Até a esperança.

O País do futuro desceu do bonde da história e virou terra de ninguém, com mais um insólito recorde: 13 milhões de desempregados. E não há nada no curto prazo que indique que será possível reverter essa tendência. O STF se mostrou apenas como a mocinha da história que, com a evolução da trama, se revelou uma tremenda de uma vilã.

 

 




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