A Granja do Mandy

Coluna do historiador Cláudio Sousa

No ano de 1926 começou a funcionar a Granja do Mandy, em Itaquaquecetuba, na estrada do Mandy. Seu fundador foi o engenheiro agrônomo francês Charles Desiré Toutain, que introduziu a galinha de ovos brancos da raça Legorne branca (Leghorn).

A origem “foi um lote de 186 aves, Leghorn brancas de alta postura, gallos, gallinhas e frangas, todas provenientes da ‘Lafayette Poultry Far’ [75 km de Paris, na França], e cuja despesa de compra e importação attingiu a somma de trinta contos de reis”, (9º Catálogo Granja do Mandy, 1936), uma fortuna na época.

As aves chegaram ao final de 1926. A incubação dos ovos produziu 52 frangas. Em 2 de julho de 1927, ao botar o primeiro ovo, a franga recebeu um anel com o nº 1 e assim as demais. Ao completar 10 anos (1936), a Granja do Mandy atingiu a soma de 9.698 galinhas poedeiras e 2 milhões de ovos. As chocadeiras funcionavam a querosene.

A granja vendia ovos e aves. Tudo metodicamente organizado e controlado, como a seleção de pintos machos e fêmeas. A produção em larga escala (chamada de produção industrial) rendia fama e dinheiro. Na década de 1930, escolas de agronomia organizavam visitas de professores e alunos, como a “Escola Luiz de Queiroz” (atual ESALQ/USP – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – Piracicaba), com os professores Octavio Domingues e Oscar Thompson (o último seria ministro da Agricultura).

Os ovos frescos eram entregues diariamente na porta do freguês, na cidade de São Paulo. Também eram enviados a outros estados; até para a Inglaterra foram exportados em 1933. Octavio Domingues recorda a visita em 1932, que os “compradores eram na maioria estrangeira, gente de embaixada, alto comércio ou indústria” (Estadão 30/12/1970).

A nora de Charles Toutain, Leila Terezinha Toutain, nos relatou que ele foi “um homem corajoso e determinado, que deixou Paris para aventurar-se na América do Sul após terminar seus estudos”. Ela afirma que Toutain “só não continuou em decorrência da enfermidade que o deixou fragilizado”. Charles Desiré Toutain morreu em São Paulo, no ano de 1958, com quase 80 anos.