Alto Tietê tem cerca de R$ 209,5 milhões em obras estagnadas

Levantamento do TCE-SP revela que região tem ao todo 32 obras paradas/atrasadas; Ferraz, que lidera ranking de abandono em obras públicas, sequer se manifesta sobre os escombros do município

  

Por Gabriel Dias/ Fotos: Bruno Arib / Arte: André Jesus

 

Confira as obras atrasadas e paralisadas no Alto Tietê

 

O TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) divulgou na última semana estudos que apontam 1.677 obras atrasadas ou paralisadas em todo Estado de São Paulo. A estimativa de valores que já foram gastos com estes empreendimentos citados, segundo a pesquisa, chega a quantia de R$ 49,6 bilhões. Seguindo o mesmo rumo desta história está a região do Alto Tietê, que totaliza cerca de 26 obras atrasadas/paralisadas, com valor já investido de R$ 209,5 milhões.

Levantamento da GAZETA mostra que Ferraz de Vasconcelos é o município que mais tem obras paralisadas em toda região: são oito. Neste cenário, o Estado já gastou com Ferraz de Vasconcelos cerca de R$ 19,3 milhões, mas nenhuma obra foi inaugurada.

No meio dos valores milionários está o Conjunto Habitacional Morar Bem II, que fica no Bairro Vila São Paulo, e segundo a previsão do Estado, deveria ser entregue em 2009, aproximadamente dez anos atrás. O empreendimento teria de acolher 187 famílias, no entanto, a obra está abandonada. O valor para construção destas casas chegou à época a R$ 3,9 milhões. Moradores ainda disseram que o local, por conta do abandono, foi diversas vezes invadido.

Joana Oliveira, de 28 anos, é comerciante e vive ao lado do empreendimento que está abandonado. Segundo ela, estas obras caíram no esquecimento. “Já passou tempo demais. Seja qual for a autoridade, ninguém mais lembra disso aqui”, aponta Joana para obra.

Shaianne Freitas mora numa viela estreita que passa por de trás da obra abandonada. O que separa sua casa do esquecido empreendimento de Ferraz é o mato alto e o entulho que os próprios moradores jogam no local. Ao conversar com a reportagem, a mulher diz viver com medo e lembra a falta de segurança. “Aqui vem gente usar droga e jogar lixo. Temos medo de quem se aproxima, evitamos ao máximo ficar do lado de fora”, diz Shaianne.

Além desta obra abandonada, outras construções também esquecidas em Ferraz de Vasconcelos são apontadas pelo Tribunal de Contas. Acompanhe na tabela ao lado.

 

ITAQUÁ- De acordo o TCE, na cidade há pelo menos cinco obras paralisadas e uma atrasada. No entanto, em um dos contratos de obras apontadas pelo tribunal estão a construção de três UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e a reforma de uma unidade, totalizando oito obras paradas e uma em atraso. A maioria das paralisações está no setor de saúde.

A GAZETA esteve na cidade e visitou uma das obras paradas, a UBS Jardim Horto dos Ipês, localizada no cruzamento da Estrada do Campo Limpo com a rua Fortuna. As cenas que a reportagem avistou ao chegar no terreno de esquina foi o mato alto que serve de estacionamento, prédio em ruinas e que, segundo moradores, é usado para tráfico e consumo de drogas.

Conversando com os moradores, eles relatam que o local abandonado gera medo e insegurança. “Se alguém se esconde aqui para assaltar, a gente não vê e não tem para onde correr, é muito perigoso”, comenta Aparecido Raimundo do Nascimento, 65.

Maria das Graças Barbosa, outra moradora do bairro, conta que tem problema na perna e utiliza muito a rede pública de saúde, no entanto, precisa se deslocar até o Jardim Odete para receber atendimento. “O posto mais perto daqui fica há mais de uma hora andando, quando a gente precisa tem que ir até lá, é muito difícil”.

 

POSIÇÃO – A reportagem procurou o prefeito de Ferraz de Vasconcelos, José Carlos Chacon (PRB), o Zé Biruta, para comentar sobre os abandonos às obras pública, no entanto, ele não se manifestou. A Prefeitura de Arujá disse que as obras mencionadas não são de sua responsabilidade, portanto, não vai responder.

A Prefeitura de Suzano disse que na cidade as duas obras contratadas pela prefeitura são da gestão anterior. Os consórcios não foram pagos pelos antigos administradores e, em 2017, a atual gestão apurou que o consórcio não teria mais interesse nas obras, portanto, um novo processo licitatório aguarda aprovação da Caixa Econômica Federal.

As outras cidades da região do Alto Tietê citadas nesta pesquisa foram questionadas, no entanto, até o fechamento desta edição, não responderam.

 




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