Ansiedade generalizada, seguida de ataques de pânico: depressão à vista

Segundo o médico especialista em psiquiatria, Leonardo Ferreira, quanto mais ansiedade a longo prazo, mais chances de apresentar um quadro depressivo. Fotos: Divulgação

 

Por Vania Sousa

De Mogi

 

Sensação de aperto no peito, coração disparado, mãos suando. Na mente, um medo inexplicável toma conta e ou uma preocupação obsessiva com algo que ainda nem aconteceu. Os sintomas são apenas alguns de uma crise de ansiedade, um dos transtornos mentais mais comuns na atualidade e, assim como outros, extremamente cruel. Para se ter uma ideia, neste exato momento, uma a cada quatro pessoas no mundo está sentindo um desses sintomas.

Dependendo do grau, a ansiedade tira o sono da pessoa, deixando-a predisposta a enfermidades cardiovasculares e privando-a de sair de casa, pois o medo atinge níveis incontroláveis – a chamada Síndrome do Pânico. O resultado de tanta “pressão”, se não tratada, é uma doença ainda mais ameaçadora: a depressão.

dr. leonardo maranhaoQuem explica melhor o assunto é o médico psiquiatra Leonardo Maranhão Ferreira, que atende em Mogi das Cruzes, Suzano e São Paulo. Ele, que é formado pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), especialista em psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria, especialista em dependência química, além de atuar no tratamento de crianças com problemas no desenvolvimento e autismo, esclarece que a ansiedade, enquanto entidade, pode ser normal, pois é uma energia que faz com que a gente se movimente, corra atrás de nossos desejos e objetivos, mas, enquanto patologia, é um sintoma que prejudica o indivíduo e pode ser encarada como doença. “Pode-se dizer que a ansiedade está para a mente, enquanto sintoma, como a dor está para o corpo”, resume o médico.

Ele esclarece que os primeiros sintomas podem ocorrer ainda quando criança ou na pré-adolescência, como um sinal de alerta. “Quando se tem uma dor, vamos em busca da origem, da causa, do porquê, um tratamento ou uma resolução. Quando se tem uma ansiedade, existe a cultura em que se pede para o indivíduo ter mais força de vontade, mais força, mais controle, mais ânimo, o que não ocorre com a dor. E a ansiedade é expressa como sintoma a partir da liberação de uma substância cerebral chamada adrenalina (hormônio liberado em situações de estresse e que causa várias respostas corporais), que funciona como um alerta de que existe algo que não é normal”, diz Ferreira.

O problema é que, se esse estado de “preocupação” se torna crônico, caso da ansiedade generalizada, ou leva a crises espontâneas, como os ataques de pânico, deixa de ser uma reação natural. Causa prejuízos à saúde e à vida social, afetiva e profissional. Transforma-se em doença. “A ansiedade é normal a partir do momento em que a pessoa precisa sair de um estado de letargia, de inércia, ter motivação para se movimentar, ter energia para fazer as coisas e ter estímulo no dia a dia. Mas ela passa a ser uma doença quando não existe um controle sobre si mesmo, com sinais de sobrecarga mental, com sintomas físicos, que podem, inclusive, ser percebidos em bebês, como um aumento de suor nas extremidades ou uma certa irritabilidade”,  explica o médico, acrescentando que isso geralmente se torna mais evidente nas crianças a partir dos 8 anos, quando começam a se relacionar com outras, percebendo a diferença entre elas, o que pode ser denominado de ansiedade social”.

 

Sintomas

Um dos sintomas mais evidentes da ansiedade é palpitação, sensação de falta de ar, leve tremor nas extremidades, suores nas mãos e pés, desconforto estomacal ou intestinal, com refluxo, além de tremores, ondas de calor e calafrios, formigamento. No caso de sintomas de ansiedade prolongados, isso pode levar a uma perda de energia, atingido o sistema imunológico. Tudo isso é produzido pelo estado de tensão em que o indivíduo já não consegue dormir bem, pois não consegue se desligar dos problemas.

“Neste caso, a presença de sono durante o dia pode representar que a pessoa tem um sono de má qualidade, então, é preciso fazer um exame para verificar se a ela tem um sono reparador. E isso é o primeiro passo para iniciar um quadro de depressão”, relata o especialista, definindo melhor esta outra doença: Você está depressivo quando está sem energia vital, pois, ao contrário da ansiedade normal, que traz vitalidade, a depressão tira o desejo de realizar tarefas simples e cruciais”, diz ele.

 

Depressão

Segundo o médico, quanto mais ansiedade a longo prazo, mais chances de apresentar um quadro depressivo. “A maioria, contudo, ainda tem uma repulsa quanto a procurar um especialista, tomar remédios, fazer um tratamento, uma terapia…”

As pessoas relutam a procurar ajuda e fogem por medo de ficar dependentes, resistem ao sistema e ainda param o tratamento, dificultando a cura, afirma ele. “O problema é a impaciência em fazer o tratamento, que, às vezes, é prolongado, muitos porque querem voltar a velhos hábitos, como tomar bebidas alcoólicas, por isso muitos ainda se afastam dos consultórios”.

Para o psiquiatra, nosso corpo tem “prazo de validade”. “Nossos avós viviam de uma forma mais natural, e, quando o corpo começava a diminuir a vitalidade, eles se aposentavam, respeitando os limites do corpo. Hoje, com a imposição de que devemos trabalhar até mais de 70 anos, nós utilizamos muito mais a bateria, o nosso cérebro, por um período muito maior. Por isso, devemos evitar a depressão, tratando da ansiedade e recarregando a nossa bateria, que é o nosso cérebro”.

Ele explica que o fator ambiental contribui muito para estas doenças, porque precisamos estabelecer limites. “E o nosso corpo tem limites”, diz, esclarecendo que existe a necessidade de mudarmos a concepção e não perdermos a nossa saúde por causa das baixas percepções com o que está ocorrendo conosco, observando a imposição da sociedade atual, que acaba prejudicando, a médio prazo, a saúde e a qualidade de vida. “O segredo é buscar ajuda e isso vale tanto para mulheres quanto para os homens, que ainda resistem a buscar o tratamento preventivo”.

O especialista demonstra uma preocupação com o aumento dos casos de ansiedade. “São Paulo é a capital mundial da depressão. É comparada a cidades em guerra, como o Oriente Médio, devido ao estresse, violência urbana, familiar, recessão, crise financeira. Eu vejo que é preciso aprender desde criança que o mesmo cuidado que temos com a dor, ou com outras doenças, temos de ter com estas patologias, como o estresse e a ansiedade, com a participação de outros profissionais, como psicólogos, fisioterapeutas e outros, a fim de mudarmos este quadro”, concluiu Ferreira.

 

Sintomas da Ansiedade

Palpitações

Pressão alta

Falta de ar

Aumento do açúcar no sangue

Má digestão

Insônia

Tremores

Suor excessivo (calor e calafrios)

Tonturas

Medo e pânico

Sensação de morte iminente

Fobia social




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