Aposentadoria especial

Por Marco Bertaiolli

Uma sociedade só pode ser considerada democrática em sua essência quando os direitos são iguais e a justiça social é um mantra a ser entoado por todos. A Democracia em seu estado de governo se torna disfuncional quando cidadãos sentem que o sistema carrega vícios e que alguns poucos têm acesso a privilégios em detrimento de tantos outros.

Estamos, neste momento, em Brasília, discutindo a Reforma da Previdência Social e todas as correções que precisam ser feitas para acabar com as distorções que se arrastam há anos e para que o sistema não entre em falência.

Por isso mesmo, é necessário que todos tenhamos muita responsabilidade e consciência para que ninguém puxe a sardinha para a sua brasa e deixe o carvão queimando para tantos outros. Abri mão da minha aposentadoria especial como deputado federal. Assinei um ofício no dia 9 de maio de 2019 e o encaminhei à Direção Geral da Câmara dos Deputados. Ficarei sob o regime previdenciário do INSS para o qual contribuo destes os 14 anos de idade quando comecei a trabalhar com carteira assinada.

Sou contra algumas mudanças no texto da reforma, como por exemplo, alterações na aposentadoria dos trabalhadores rurais e no pagamento do benefício especial para os idosos carentes, sem qualquer renda, e às pessoas portadoras de deficiência. Tantas outras alterações ainda estão em análise e serão, por mim, esmiuçadas sempre sob o cunho da verdade, da justiça social e da responsabilidade a mim imputada por mais de 137 mil eleitores.

Somos 513 deputados que representam cerca de 210 milhões de brasileiros, que é a população estimada pelo IBGE para 2019. É só fazer a conta para entender o tamanho da responsabilidade em nossas mãos. Por isso, é hora de abrirmos mão de paixões partidárias, esquerdistas e direitistas. Fui criado sob a base de um ditado antigo: a palavra de um homem vale o seu fio de bigode, dizia meu avô. Abrir mão da aposentadoria especial, como disse, não é e nem pretende ser um ato de supremacia bondade com o País. Não. É levar para o papel, aquilo que carrego como certo dentro de mim.