“Aumentar a receita e modernizar o serviço público são as metas”

No aniversário de 58 anos de Arujá, o prefeito indica o que está sendo feito para que o município supere desafios identificados pelo seu governo. Foto: Bruno Arib
 

A contratação de novos médicos especialistas e o superávit de R$ 2,4 milhões nas contas públicas do primeiro quadrimestre marcam o início da gestão do prefeito de Arujá, José Luiz Monteiro (PMDB). Passados os primeiros 150 dias à frente do Executivo, o médico elenca os desafios para o desenvolvimento do município – sem perder o tradicional bom humor.

Confira abaixo a entrevista na íntegra.

 

Por Renan Xavier

 

Gazeta Regional (GR): Arujá está em festa pelo aniversário, qual a importância dessa celebração?

José Luiz Monteiro, o Zé Luiz: É uma festa tradicional, na praça, o Encontro das Nações, onde há barracas típicas de alguns países como Portugal, Japão – que tem uma colônia muito grande aqui, e alguns outros países. É uma tradição de mais de 35 anos. Ela cresceu, teve todo um desenvolvimento e arquitetura diferente que está sendo aprovada pela população. Em meio a uma crise que estamos vivendo, será um momento de lazer, de relaxamento da população, de alegria, de música na outra parte da festa. Acho que é o que a população está esperando. Será um mês inteiro de atrações.

 

GR: Já teve tempo de diagnosticar os principais problemas da cidade?

Zé Luiz: Sim, já. E é impossível não cair no lugar comum: educação, saúde e segurança são prioridades. Sob o manto municipal temos 40 escolas, quase 10 mil alunos. Então existe uma necessidade de manutenção de escolas, na construção de creches. Nós já estamos desenvolvendo esse trabalho. Na segurança a mesma coisa. Mesmo com a melhora da Guarda Civil. Mas tudo isso demanda processos e tempo. Felizmente você não consegue com uma canetada resolver todos os problemas. Tem a morosidade? Tem. Mas isso tudo sob o amparo legal. A contratação de médicos especialistas foi um dos compromissos de campanha. Nós estamos fazendo um processo de licitação para a contratação direta desses médicos. Pois, por concurso, demoraria e isso teria uma influência muito grande na folha de pagamento e depois na Lei de Responsabilidade Fiscal. Então nós optamos por esse caminho. Têm alguns concursos em vigência, então há especialistas que estão sendo chamados, aqueles que dentro da possibilidade econômica estão sendo chamados.

 

GR: A regularização fundiária sempre foi uma das prioridades em Arujá. Isso permanece?

Zé Luiz: Sim. Atualmente, temos dois bairros com necessidades de regularização mais urgentes. Uma parte do Jardim Pinheiro e do Mirante que temos que discutir, para avançar no sentido da segurança do direito à moradia. Uma das funções da administração pública é dar a segurança para a pessoa viver na casa dela. Você imagina essas invasões que ocorrem e, de um dia para o outro, é decretada uma reintegração de posse, daí o morador tem que abandonar o local, mudar sua rotina, a criança sai da escola, às vezes mora próximo a um parente que ajuda a cuidar da filha, então você imagina uma angústia dessas. Então, com a regularização, você avança nessas questões.

 

GR: Na área administrativa, o que é preciso mudar?

Zé Luiz: Os desafios maiores: aumento da receita, para termos uma liberdade maior de ação e a modernização do serviço público. Chegamos aos 150 dias e o que aconteceu foi isso: trabalho. Um trabalho que não é de aparecer, mas de deixar raízes no município para que ele possa se desenvolver. Acabar com a morosidade no serviço público, substituindo, muitas vezes, o trabalho mecânico por ferramentas eletrônicas que possam agilizar aberturas de empresas. Com isso, gerando o aumento dos postos de trabalho, diminuição dos problemas sociais, pois aí a pessoa estará empregada e consegue se sustentar. Já estamos desenvolvendo sistemas. Temos vivenciado outras experiências, visitado outros municípios. Na parte social, eu sou médico, claro que há uma expectativa muito grande quanto a mim no campo da saúde. E tudo aquilo que está próximo, no campo social. Temos uma preocupação efetiva de deixar uma herança.

 

GR: O município terminou o primeiro trimestre com superávit, algo que não acontecia há anos. Isso é reflexo de corte de gastos?

Zé Luiz: Estamos trabalhando com cuidado, com o pé no chão. Isso se deve muito à Secretaria de Finanças, com uma rigidez muito grande, acompanhado também da nossa fiscalização. Eu levo a vida com bom humor. Então tenho dúvida se fui eleito como chefe de Governo ou de RH (Recursos Humanos). Há muita gente querendo emprego, amigos da gente. Há amigos nossos em situações terríveis. A gente fica, muitas vezes, em situações de ir para casa e não conseguir dormir direito pensando na pessoa. Portanto, mesmo considerando o superávit, não dá para contratar. Como que vou ficar nos últimos meses do ano, quando a receita cai. Não é o hoje, o hoje é fácil, temos que prever o futuro. Tenho preocupações de investimento. Temos necessidades em todas as áreas. Mas, principalmente, temos os pés no chão.

 

GR: Sem luxos?

Zé Luiz: Não tem nada de luxo. O carro oficial do prefeito é um Volkswagen Gol 2011. Não tem luxo algum. Eu venho trabalhar com meu carro. Já saímos de Arujá com gasolina custeada por mim. Aqui, na região, tudo que fazemos é custeado por nós mesmos. Levo as contas públicas com muita rigidez. [O dinheiro público] é uma coisa muito séria. O dinheiro público é para o investimento e benefício da população. Então não vamos viver no luxo.

 

GR: Como tem sido essa nova rotina?

Zé Luiz: A minha rotina, em termos de correria, pouco mudou, pois eu sempre fui médico. Hoje, tenho muitos eventos, muitas cerimônias das quais tenho que participar.  Então, sexta-feira à noite, sábado durante o dia, domingo durante o dia.  Mas continuo com meu jogo de futebol, com minhas leituras. Não sinto nenhuma angústia porque eu já tinha uma vida muito corrida.

 

GR: Como tem sido a relação com a Câmara?

Zé Luiz: Uma relação serena. São personalidades, suscetíveis a mudanças de humor, mas eu tenho uma relação muito boa. Mesmo com pessoas mais próximas, até pessoalmente, pois eu tenho amigos vereadores. O que cobro é isso: respeito e crítica quando for necessário. Não tem nada de apagar incêndio. Se está errado, está errado. Corrijam o prefeito! Eu sou muito democrático. Nós temos um líder agora, que é o Castelo Alemão, um vereador bastante interessado no desenvolvimento da cidade que tem feito o papel de interlocutor entre o Executivo e a Câmara. Então, é muito tranquila a relação.




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