Autismo: apontando caminhos

Leonardo Maranhão, psiquiatra, é diretor da Clínica Médica Assis. Foto: Arquivo Pessoal

 

Por Leonardo Maranhão

 

O que você sabe sobre autismo? Para muita gente, a primeira imagem que vêm à cabeça é a de uma criança se balançando, de movimentos repetitivos e eventuais gritos por não conseguir se expressar.

Falar sobre o chamado Transtorno do Espectro Autista (TEA) não é fácil. Até mesmo entre profissionais de saúde, a questão ainda não desperta o interesse que merece e as pesquisas, por mais que contribuam muito, parecem iniciativas isoladas.

Passei por diversas cadeiras médicas até chegar à especialidade que percorre os transtornos do desenvolvimento. No início, especializei-me em dependência química e trabalhei com isso por cinco anos. Quando me tornei pai, a vida se encarregou de transformar um interesse em necessidade, uma vez que passei a acompanhar de perto o desenvolvimento dos meus filhos e me deparei com dificuldades que me levaram a buscar explicações mais profundas.

Hoje, o fascínio pelo assunto já me permitiu atender pelo menos 500 crianças autistas, procurando ajudar a melhorar a qualidade de vida e a perspectiva de inclusão delas. Depois de ter acompanhado histórias singulares, reafirmo o quão fantástico é ver a evolução de uma criança que não fala e não interage. É indescritível observar que o convívio com os pais ganha outra dimensão.
Essa caminhada já completa 10 anos e pude conhecer gente inspiradora que, com recursos escassos, faz um trabalho efetivamente transformador. “A vida com…Autismo” se propõe a traçar um breve panorama da questão no Brasil e reúne histórias de famílias que buscam, ou já encontraram, um caminho melhor.

O assunto é complexo e seria impossível tratar o tema com a profundidade necessária em um livro pequeno. Uma das mães só teve a certeza do diagnóstico do filho quando ele já estava com 27 anos. O quanto esse diagnóstico tardio comprometeu as perspectivas para essa família? Como reparar os efeitos?

Precisamos refletir, sobretudo porque as projeções indicam que o autismo tende a se tornar um assunto mais presente na nossa sociedade.

 




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