Autismo: novos caminhos para o diagnóstico

Por Leonardo Maranhão. Foto: Arquivo pessoal

 

O teste do pezinho, realizado nos recém-nascidos até o quinto dia de vida, é fundamental. Da versão básica à mais completa, ele é capaz de detectar de seis a 48 doenças metabólicas e genéticas. Com algumas gotinhas de sangue é possível revelar patologias que, se não identificadas precocemente, podem vir a comprometer a qualidade de vida e até mesmo levar à deficiência intelectual. Seria bom se esse teste ajudasse também a diagnosticar o autismo, certo? A “boa notícia” é que estamos caminhando para isso.

Hoje, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem diagnóstico clínico, ou seja, depende da observação e de relato dos pais ou responsáveis por uma criança. A trajetória para identificá-lo começa com a percepção da família, que nota os atrasos ou avanços incomuns no desenvolvimento, e respostas diferentes a estímulos externos, como quando a criança não olha e não atende pelo nome, por exemplo.

Mas um estudo da Universidade de Warwick, no Reino Unido, pode ser o primeiro passo para mudar a realidade e abrir novos caminhos para identificar o autismo. Ao analisar dois grupos de crianças com idade entre 5 e 12 anos – um portador do espectro e outro que não seja – pesquisadores perceberam que o diagnóstico do autismo pode ser feito com exames de sangue e urina, por meio de biomarcadores de proteínas tóxicas do estresse oxidativo, de proteína glicosilada e de aminoácidos nitrados.

Se o estudo se confirmar na prática – e as chances são boas, visto que os testes obtiveram 90% de taxa de acerto – o diagnóstico precoce não será mais um sonho distante. Futuramente, o teste do pezinho ou até mesmo um exame de rotina poderão ser fundamentais para o avanço das estratégias de tratamento e terapia, com chances muito maiores de sucesso terapêutico.

 

Leonardo Maranhão, psiquiatra, é diretor da Clínica Médica Assis e autor do livro “A Vida com…Autismo” (2017).




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