Bispo se cala sobre polêmica de Padre Gabriel Bina desviar R$ 21 milhões

Representante máximo da Igreja Católica na região do Alto Tietê, Bispo Dom Pedro diz que não sabe de nada

 

Por Gabriel Dias

 

Quem mora em Santa Isabel viu o nome do ex-prefeito Padre Gabriel Gonzaga Bina envolvido em mais um escândalo criminoso na cidade. Desta vez, o líder religioso se tornou um dos alvos do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em um processo que investiga suposto desvio de verba pública no valor de R$ 21,3 milhões quando ele ainda era prefeito. Bina teve seus bens bloqueados junto com a empresa PEM Transporte Municipal Urbano no valor de R$ 64,1 milhões.

A notícia que circulou por toda região, inclusive compartilhada pelo próprio Ministério Público, não teve potencial suficiente para chegar ao gabinete do Bispo da Diocese de Mogi das Cruzes, Dom Pedro Luiz Stringhini – superior de Padre Gabriel.

Por telefone, o pontífice regional disse à GAZETA não saber de nada e recusou ceder entrevista para falar sobre o bloqueio de bens de um padre de sua diocese e se este fato mancharia a imagem da Igreja Católica na região.

“Você deve falar e perguntar isso a ele, eu não sei de nada e nada chegou até mim”, disse Pedro Luiz numa breve ligação.

A notícia do bloqueio de bens de Padre Gabriel Bina e mais 12 pessoas, incluindo antigos secretários de sua gestão e a PEM, foi divulgada pelo MP há pouco mais de uma semana.

A apuração da promotoria que levou a Justiça a bloquear os bens do padre e da empresa se refere a um suposto direcionamento de licitação, gerando assim, crime de improbidade administrativa.

Na época, a cidade de Santa Isabel rompia contrato com a antiga empresa de transporte público municipal, a Transcooper, e assinava um novo documento no dia 29 de outubro de 2015 em caráter emergencial, solicitando os serviços da PEM.

O que chamou a atenção da Justiça é que os réus do processo, Marcos Cesar da Silva, Elizelton Ribeiro de Jesus e Pedro Sergio da Silva Pinto, donos da PEM, prestavam serviço de mão–de–obra para a empresa Transcooper, quando o contrato naquela época foi rompido.

De acordo com o MP-SP, o trio, por ser muito próximo da administração de Padre Gabriel Bina, ao saber da saída da Transcooper, decidiu colocar a empresa deles, a PEM, na concorrência, no entanto, usando de suas aproximações dentro da prefeitura para ganhar o processo de maneira ilícita.

Em referência aos donos da PEM, o Ministério Público afirma que os réus estavam “acostumados a lidar com a Prefeitura de Santa Isabel, possuíam informações privilegiadas que garantiram a contratação em caráter emergencial e o direcionamento da Concorrência Pública nº 01/2015”.

Diante de tais fatos, o MP-SP ainda revela outro nome chave para as investigações no direcionamento da licitação, o de Eriton Rodrigues da Silva, ex-funcionário do prefeito de Ferraz de Vasconcelos, Acir Filló, preso por corrupção em 2017.

Eriton foi nomeado pela Prefeitura de Santa Isabel supostamente com aval de Padre Gabriel Bina. Ele foi elevado ao cargo de presidente da Comissão de Licitações e agora é o principal responsável, segundo a Justiça, por articular toda a fraude em Santa Isabel.

“Eriton suspendeu e reeditou uma nova licitação e inseriu cláusulas que limitava a competição com outras empresas sem respeitar prazo da Lei nº 8.666/96 para que outras entidades apresentassem propostas”, ressalta a Justiça.

 

DO GABINETE – Maricelia dos Santos, uma das citadas na denúncia, foi na época Chefe de Gabinete e braço direito do Padre Gabriel Bina. Recentemente, ela protocolou na Justiça de São Paulo documento que a exime de qualquer culpa que recaia sobre ela ao longo das investigações.

No dia 24 de abril de 2019, a ex-Chefe de Gabinete dizia à Justiça não ter responsabilidade pelos atos praticados pela administração municipal. Ainda acrescenta que não tinha o poder para praticar atos relativos às nomeações dos servidores que seriam integrantes do processo licitatório que ocorreu de maneira irregular.

 

BLOQUEADOS – Durante as investigações, a Justiça chegou até os principais nomes, além de Padre Gabriel Bina e os outros réus citados acima, que são: Eraldo Aparecido de Souza, Siberi Machado de Oliveira, Domingos Martins de Oliveira, William Rodrigo da Silva, Luana Alves Lopes Camargo e Maria Ângela Sanches – esta última, ex-prefeita de Santa Isabel.

Por fim, a Justiça entende que houve conluio entre Padre Gabriel Bina e os demais servidores nomeados naquela época, todos com objetivo de fraudar a licitação de transporte público. De acordo com as citações do processo, a PEM iria atuar em Santa Isabel por 15 anos, totalizando um rombo financeiro de R$ 110,1 milhões, no entanto, o contrato com foi quebrado no dia 11 de outubro de 2018, pela atual prefeita da cidade, Fábia Porto (PRB), também investigada por crime de suposto enriquecimento ilícito em torno de negociações com a PEM.

Gazeta Regional

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