Câmara de Salesópolis quer legislar onde não compete a ela, diz Vanderlon sobre pedido de cassação

E agora? Câmara Municipal quer julgar prefeito, mas competência é do Judiciário
Por Gabriel Dias / Foto: Bruno Arib

Acusado por descumprir ordem judicial e não entregar, no prazo de 30 dias, uma cadeira de rodas a um jovem que sofre de encefalopatia crônica não progressiva, o prefeito de Salesópolis, Vanderlon Gomes (PR), sofre junto à Câmara Municipal pedido de cassação podendo perder seu cargo público e responder por crime de infração político-administrativa.

O que vai definir a situação do prefeito é a investigação que os vereadores irão iniciar agora que houve a abertura de uma CP (Comissão Processante) por 7 votos a 3, realizada há um mês.

Estela Maria Prudente de Oliveira é mãe do jovem que sofre de encefalopatia e, segundo Vanderlon, ela que iniciou a acusação contra a prefeitura. As alegações que iniciaram o processo de investigação no legislativo é que Vanderlon e sua equipe atrasaram o processo de aquisição da cadeira de rodas. A cadeira de rodas motorizada atendendo às exigências judiciais pode ser entregue no próximo dia 18.

Interesses políticos

O republicano garante que a iniciativa que partiu da classe política na Câmara não passa de uma investida de grupos interessados em seu próprio benefício. O prefeito ainda esclarece os fatos dizendo que a prefeitura iniciou o processo para entrega da cadeira, no entanto, sentiu resistência por parte da família do jovem.

Acompanhe fala do prefeito na íntegra:

“Fomos com um carro até à casa da mãe do jovem para levá-los à empresa que faria a medição da cadeira de rodas para o menino, mas, Estela se recusou a entrar no carro dizendo que o veículo não era adequado para seu filho.” Vanderlon ainda explica: “O estranho é que o carro que utilizamos neste último contato é o mesmo que foi usado em outras ocasiões e ela nunca reclamou.”

De acordo com o prefeito, este fato contribuiu para a demora na entrega da cadeira, e também, o tipo solicitado que é complexo: “Não é qualquer empresa que faz este tipo de serviço, e atravessamos uma crise financeira que nos leva a escolher o serviço mais barato”, explica.

Defesa

Até mesmo no ponto de vista da relatora do processo que tramita na esfera do Tribunal de Justiça de São Paulo, Dora Aparecida Martins, a situação segue o que o prefeito já alegou na entrevista à GAZETA, isto é, ela também cita os problemas relacionados à situação fiscal e conclui alegando que não se pode atribuir esta responsabilidade para um município que enfrenta uma crise financeira.

Na defesa apresentada na Câmara Municipal, a equipe do prefeito diz que os julgamentos de crimes desta categoria se resguardam apenas ao poder judiciário e não ao poder legislativo municipal. “Eles estão legislando onde não é o campo deles, e sim onde é o campo do Poder Judiciário”, afirma Vanderlon. Questionado se está preocupado com a abertura da Comissão, ele responde: “Estou tranquilo, e sei que estou fazendo minha parte.”