Casa de tapeceiro é incendiada e depois destruída pela Defesa Civil de Itaquá

Trabalhador diz que foi vítima de um “doido” e depois da Defesa Civil de Itaquaquecetuba, que deixou apenas os escombros da casa  

 

Por Aristides Barros / Foto: Bruno Arib

 

Inconformado e revoltado com a situação que vive atualmente. Esses são os sentimentos do tapeceiro Rovilson Conceição Nascimento, 61 anos, ao afirmar ter sito vítima de dois atos que mudaram drasticamente a sua vida.

A casa dele, que ficava na Rua Miracatu, 300, no Jardim Recanto Mônica, em Itaquaquecetuba, foi incendiada por um dependente químico e depois demolida por funcionários da DC (Defesa Civil) de Itaquá. O caso aconteceu por volta das 5 horas do dia 26 de março e o piromaníaco que incendiou a casa do tapeceiro ainda não foi identificado.

O pior foi que a demolição aconteceu sem que o local fosse periciado para ver se havia a necessidade da destruição da casa, denunciou o tapeceiro. Isso foi confirmado pelos seus vizinhos, o feirante Lourival de Souza Silva, 45 anos, e pelo professor de educação física, Luiz Ferreira da Silva, 39 anos.

Rovilson disse que sua esposa Rosangela Gimenez da Silva Andrade, 39 anos, foi quem percebeu que a casa estava “pegando fogo”. Vendo o incêndio ele tratou de ir desligar a caixa de luz achando que se tratava de um curto circuito. O homem e a mulher foram socorridos pelos vizinhos, que acionaram o Corpo de Bombeiros e uma ambulância do Samu. O casal foi levado para o hospital.

“Os bombeiros apagaram o incêndio. Mas, poucos minutos após saírem do local, o fogo começou novamente”, disse Lourival. “Depois vieram os funcionários da Defesa Civil e apareceu uma máquina, que já foi derrubando toda a casa. Quando o perito chegou tudo já havia sido demolido. Não fizeram a perícia. O Rovilson foi vítima por duas vezes”, assinalou Luiz.

O professor e o feirante classificaram como um absurdo o que aconteceu com o tapeceiro. “Cheguei do hospital e vi minha casa destruída, só os escombros”, disse ele.

O trabalhador continua na mesma rua, só que num cômodo minúsculo. Isso até construir outra casa para ele e a esposa poderem “renascer das cinzas.”

Solidários, amigos e vizinhos juntam dinheiro para comprar materiais de construção. “A ajuda pode ser feita na Caixa Econômica Federal. Agência-3811-3 / Conta Corrente: 22279-3”, pede o tapeceiro.

Até o momento ele conseguiu R$ 400. Porém, terá de conseguir cerca de R$ 8 mil para construir ao menos dois cômodos.  

 

OUTRO LADO – O jornal contatou a prefeitura para saber o que a administração municipal tem a dizer sobre a ação da Defesa Civil, que teria ido ao local e determinado a demolição do imóvel sem que houvesse a realização de uma perícia.

Por WhatsApp o responsável pelo setor de comunicação assegurou que “a casa foi demolida após uma avaliação de engenheiros que constataram que a estrutura da casa entrou em colapso.” Ainda segundo o funcionário da administração municipal, todo o processo ocorreu “com supervisão do Corpo de Bombeiros e sob supervisão da Polícia Civil, havia risco da casa desabar e atingir a residência ao lado.” 

A GAZETA solicitou o laudo ao assessor de imprensa, que prometeu enviar o documento ao jornal assim que a Defesa Civil lhe  entregar. 

 

 




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