Contradições: Aniversário de Arujá é marcado pelos contrastes sociais

Órgãos oficiais mostram uma cidade de primeiro mundo, mas população relata desafios

 

Por Aristides Barros / Fotos: Bruno Arib 

 

Indicadores revelam Arujá como uma das cidades mais ricas do Estado de São Paulo, conforme é apontado pelo Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados). O órgão coloca o município no grupo dois de uma pesquisa ilustrada por 645 municípios paulistas. Neste mesmo grupo também estão incluídos Mogi das Cruzes e Suzano. A posição de Arujá ostentada na pesquisa do Seade e endossada pelo Instituto do Legislativo Paulista, órgão da Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), atesta o quadro de riqueza local.

O status de “Suíça regional” é acrescido na questão da preservação ambiental, que ainda confere ao município a condição de ser um dos “pulmões” de área verde da Região Metropolitana de São Paulo. A situação preservacionista é decorrente do trabalho desenvolvido junto ao sistema de coleta seletiva de lixo – avaliado como o melhor da Região do Alto Tietê –, cuja excelência dos trabalhos “anexam” à Arujá o título de Cidade Natureza.

Ainda no quadro regional, o município oferece a melhor qualidade de vida à população da terceira idade, chegando a ocupar nesse quesito o 167º lugar do ranking estadual paulista, conforme mostra o Índice Futuridade, que é elaborado pelo Seade e pela Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social.

 

FATO – Contra números não existem argumentos. Levados ao pé da letra, eles dão a impressão que a cidade não fica no Brasil. Entretanto, a visão nórdica é rebatida pelo próprio prefeito José Luiz Monteiro (MDB), o Zé Luiz, que enfatiza sua preocupação pelo social. “Todos acham que Arujá é uma cidade muito rica, o que prejudicou o município historicamente. O comércio achou que venderia só para as pessoas de condomínios, e por isso não evoluiu. Agora que está começando a engatinhar”, disse.

Mas a fama de cidade rica também tem suas vantagens, como completa. “A nossa frota automotiva é a terceira per capita no Brasil, e isso incide no IPVA. Temos também o IPTU, que é um dos maiores da região, embora os condomínios tenham suas demandas de infraestrutura, que precisam ser trabalhadas.”

Sobre a área social, o prefeito enfatiza a necessidade de distribuição dos recursos. “É uma preocupação muito grande destinar 2% da arrecadação para a Assistência Social, que absorve grande parte do orçamento e destina ao Programa Renda Mínima, espécie de Bolsa Família municipal. Tira-se da arrecadação do município e repassa para as famílias carentes. O governo tem que ter preocupação com as pessoas, pois governamos para elas. Não estamos governando para fazer estradas, viadutos, pontes. É preciso governar para que as pessoas sejam atendidas nas suas demandas mais urgentes”, acrescenta.

Embora admita a necessidade do assistencialismo por conta do escasso mercado de trabalho, o prefeito esclarece outra preocupação ao declinar que é preciso atrair empresas para o município: “Temos um centro industrial muito bem elaborado, e empresas nos procuram todos os dias. Temos que aumentar o leque de empregos”, finaliza.

RIQUEZA – Município também é conhecido pelos diversos condomínios

 

Arujaenses apontam progresso da cidade, mas querem mais

A GAZETA lançou a pergunta sobre qual o presente que Arujá poderia ganhar nos seus 166 anos de fundação e 59 anos de emancipação político-administrativa – completados no dia 8 de junho. Os entrevistados inverteram a indagação devolvendo como a cidade poderia presenteá-los, uma vez que cada qual, indireta e indiretamente, já contribuem com o progresso do município por meio de seus trabalhos e atividades.

Assim o guardador de carros Emerson Santos, de 40 anos de idade, morador no Parque Residencial Rodrigo Barreto, que anda com dificuldade devido uma amputação que lhe “levou” parte da perna direita, pediu uma prótese nova. “Essa aqui já passou do prazo de validade. Se alguém me ajudar a conseguir outra eu agradeço”, antecipou. “A cidade está muito bem”, completou.

“A gente precisa de um ponto de encontro”
Thalita Vieira da Silva, Estudante

Moradora na Chácara São José, a estudante Thalita Vieira da Silva, 16, aluna da ETEC Arujá, quer lazer para a juventude da cidade. “A gente precisa de um ponto de encontro. Quem sabe se construírem um shopping ficaria de bom tamanho para os jovens se encontrarem, ter um local de diversão e de compras, cinema e tudo mais”, avaliou.

O desempregado José Dias do Nascimento, 46, também morador do Barreto, vive fazendo bicos e a condição instável de emprego o preocupa. “As nossas autoridades deveriam abrir frentes de trabalho. A cidade sempre foi boa, mas o desemprego é a maior preocupação de todos nós”, observa. Ele mora há 30 anos na cidade.

A dona de casa Maria Aparecida Pereira, 53, que mora há 28 anos no município, disse que adora Arujá e não tem o que reclamar, mas depois reavalia e diz que a área de educação precisa ser reforçada. “Meu neto está no sexto ano do ensino médio e têm dias que fica o dia todo na escola sem fazer nada. A escola dele está sem professor e nem substituto aparece. Alguém precisa arrumar essa situação.” O neto dela é o Nicolas e tem 11 anos. Ele é aluno da Escola Estadual Professora Edir Paulino Albuquerque.

 




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