Cresce número de pacientes de Poá que recebem atendimento em casa

Equipes de saúde da família realizam mais consultas do que o previsto pela Prefeitura de Poá

 

Por Laison Nascimento / Fotos: Bruno Arib

     

Se eu não recebesse esse atendimento em casa, provavelmente a minha situação estaria pior.” A fala é da dona de casa Rosa dos Santos Silva, de 59 anos. Moradora da Vila Júlia, em Poá, ela é uma das centenas de pacientes que recebem consultas médicas na própria residência.

O trabalho, que está a cargo da OSS (Organização Social de Saúde) Sociedade Beneficente Caminho de Damasco, tem superado cerca de 250% dos atendimentos contratados pela prefeitura sem que haja aumento nos gastos com o contrato.

A GAZETA teve acesso aos relatórios que trazem um comparativo das atividades esperadas pela Secretaria Municipal de Saúde e a quantidade de atendimentos efetivamente realizados. No mês de agosto, por exemplo, houve um aumento percentual de 298% de visitas domiciliares de médicos generalistas ao grupo de pacientes que, por dificuldades de locomoção, contam com auxílio médico sem sair de casa.

O casal Sabino da Cruz e Rufina Pereira da Cruz, ambos de 94 anos, são atendidos há quatro anos na residência pelas equipes da ESF (Estratégia Saúde da Família) Doutor Murilo Mendes Soares, na Vila Júlia. Devido à idade, eles só vão até o posto de saúde ou ao hospital quando há a necessidade de atendimento especializado.

“Nós temos até uma relação de amizade com as equipes, porque eles estão conosco toda semana. Além de estarem sempre à disposição, ainda me orientam sobre como devo cuidar dos dois”, reflete a cuidadora do casal Maria de Fátima Lopes, 59.

Aproveitando a presença da reportagem, ela fez questão de mostrar os separadores de medicamentos feitos pela médica Mayana Pelegrino, 35, que atende o casal. “Isso demonstra a preocupação desses profissionais com os pacientes”, elogiou Maria.

 

Município se destaca no conceito de saúde familiar

  

Nove equipes multiprofissionais – médicos, enfermeiros, agentes de saúde e auxiliares técnicos em enfermagem – atuam nos ESFs (Estratégia Saúde da Família) de Poá, como explica a coordenadora assistencial da Caminho de Damasco, Camila Cavalca.

SERVIÇO – Poá tem 6 ESFs

“Nós temos um trabalho voltado à prevenção. Os médicos, que têm carga horária de oito horas por dia, fazem as visitas domiciliares pelo menos uma vez na semana. Os profissionais têm carro à disposição, para que a demanda seja plenamente atendida”, complementou Camila.

A médica generalista Mayana Pelegrino, de 35 anos, disse que Poá segue uma tendência da retomada da “medicina da família” como forma de diminuir a hospitalização. “Poá está bem assistida com atenção primária, pois o trabalho de visita domiciliar faz parte da atenção primária. As consultas que seriam realizadas nos postos acontecem na casa do paciente”, acrescentou a médica.

 

Rede de Saúde retomou a sua credibilidade junto aos poaenses, dizem autoridades

 

Procurado para comentar o crescimento no número de atendimentos dos ESFs (Estratégia Saúde da Família) de Poá, o vice-prefeito e secretário municipal de Saúde Marcos Ribeiro da Costa (PDT), o Marquinhos da Indaiá, fez questão de ressaltar o trabalho desenvolvido em toda a rede municipal, incluindo as UBSs (Unidades Básicas de Saúde), o Centro de Referência e o Hospital Municipal Doutor Guido Guida.

“Os resultados positivos estão aparecendo em toda rede de saúde”
Marquinhos Indaiá, secretário de Saúde

“Os resultados estão aparecendo em toda a rede municipal de saúde. Prova disso é que, nos últimos meses, diminuiu muito o número de reclamações de atendimento no hospital municipal. Quando você tem uma redução nas reclamações, quer dizer que o atendimento está sendo de primeira”, analisou Indaiá.

Na ocasião, o secretário de Saúde também fez comentários sobre os investimentos do governo Gian Lopes (PR) no setor. “A obra do Pronto Atendimento Infantil Saúde da Criança está em ritmo acelerado, assim como o Centro de Especialidades. Ambos serviços serão entregues em breve. Também temos dois novos ESFs em construção, o da Vila Perracine e no Jardim São José.” Somente o PA Infantil terá capacidade para atender até 400 crianças por dia.

“Hoje a população tem o que ela precisa no seu próprio bairro”
Walter Guinger, diretor de Saúde

O diretor de Saúde Walter Gilberto Guinger acrescentou que a rede municipal “recuperou a credibilidade junto à população.” “Antes a pessoa ia no posto marcar uma consulta e só conseguia vaga para daqui a dois, três meses. Aí ela procurava o Pronto Socorro, cujo atendimento é mais imediato. Mas o PS não faz a prevenção daquela doença.”

Ainda de acordo com Guinger, a retomada de credibilidade é resultado, dentre outros fatores, da qualidade no atendimento. “Para a população voltar para os postos era preciso uma coisa básica: ter médicos atendendo. Foi justamente o que fizemos, pois agora toda a rede básica tem clínicos, pediatras e ginecologistas. Hoje a população tem o que ela precisa no seu próprio bairro, em termos de atenção básica”, finalizou.




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