Defesa de Lula critica Moro e ministro se defende

Vazamento de mensagens pelo Telegram elevam os ânimos dentro da presidência da República e Moro terá que se explicar para Senado

Por Gabriel Dias / Foto: Divulgação

Os advogados Cristiano Zanin e Valeska Zanin Martins, que representam a defesa do ex-presidente Lula (PT), aproveitaram a fase política que vive o governo de Jair Bolsonaro (PSL) para reagir ao vazamento das mensagens do ex-juiz Federal e agora Ministro da Justiça, Sérgio Moro. Eles dizem que é “inimaginável que um juiz e um acusador se unam para atacar um acusado [Lula] e seus advogados com objetivo de impor condenações sobre crimes nos quais não existiram”, diz a defesa.

As trocas de mensagens de Moro com a equipe da Lava Jato aconteceram pelo aplicativo Telegram antes que Sérgio Moro assumisse o Ministério da Justiça, e vieram a público pelo site “The Intercept Brasil” quando o celular do ministro foi hackeado por criminosos.

Moro aproveita o momento para rechaçar as mensagens e cita que os textos podem ter passado por edição.

Já para os advogados de defesa de Lula segundo publicou a CUT (Central Única dos Trabalhadores) em seu site, “é estarrecedor constatar que o juiz da causa, após auxiliar os procuradores da Lava Jato a construir uma acusação artificial contra Lula, os tenha orientado a desconstruir a atuação da defesa técnica do ex-Presidente e a própria defesa pessoal por ele realizada durante seu interrogatório em maio 2017”, dizem os advogados.

Em contrapartida ao que vem acontecendo sobre o fato do vazamento das mensagens de Moro e Deltan Dallagnol mais outros membros da Lava Jato, tanto o ministro quanto auxiliares do presidente Bolsonaro ensaiam uma ida até a Câmara dos Deputados, espontaneamente, para se explicar sobre a polêmica que assola o atual governo.

Na opinião de Moro, fazer isso é uma das maneiras mais seguras de reverter a situação e desviar o foco de uma suposta CPI.

Por outro lado, a defesa de Lula diz que Moro e a equipe da Lava Jato nunca teve um olhar imparcial no que se refere as investigações contra o ex-presidente. Os advogados de Lula ainda avaliam a situação como um “patrocínio estatal de uma perseguição pessoal e profissional, respectivamente, ao ex-Presidente e aos advogados por ele constituídos”, garante a defesa.

Em um dos trechos das mensagens, Moro sugere ao procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, que fizesse uma nota à imprensa para contradizer as alegações da defesa de Lula logo quando ele terminou de depor sobre o caso Triplex no Guarujá.

Moro havia definido que a defesa de Lula deu um “Showzinho” quando o ex-presidente depôs naquela época para os delegados do caso.

Devido à grande repercussão das mensagens entre Moro, Deltan e a equipe da Lava Jato, o senador baiano Ângelo Coronel (PSD), chegou a protocolar nos dias seguintes à polêmica, um requerimento convocando o ministro a se explicar perante a classe política.

Na esfera dos magistrados, sobrou até para o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux, que evitou fazer comentários agressivos ou que possam causar certo desconforto entre ele e Moro quando questionado por jornalistas em um seminário na Escola de Magistratura do Rio de Janeiro (EMERJ) nesta segunda-feira (17) sobre o que pensa em relação ao vazamento das mensagens.

Gazeta Regional

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