Drama: periferia de Itaquá quer se livrar dos esgotos a céu aberto

Moradores dizem que as promessas de realização do serviço retornam quando se aproximam as eleições. FOTO: Bruno Arib

 

Por Walmir Barros

 

Há anos é esperado que seja “desamarrado” o pacote de obras de saneamento básico em Itaquaquecetuba. O sonho da maior parcela da população ganhou força em setembro, quando o governador Geraldo Alckmin (PSDB) esteve na cidade para assinar o contrato de R$ 1 bilhão entre a prefeitura e a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), para viabilizar todo o serviço. O contrato prevê obras pelos próximos 30 anos, período em que a Sabesp deve realizar serviços de melhorias nas áreas de abastecimento de água e coleta e tratamento de esgoto.

Só a ampliação da rede de tratamento de esgoto no município está orçada em R$ 38 milhões e a obra já iniciada na bacia do córrego Mandi prevê a instalação de coletores interligados à ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) de Suzano e a construção de uma estação elevatória.

A previsão de conclusão é de até três anos e, segundo a Sabesp, vai beneficiar em torno de 15 mil famílias. Conforme a autarquia estadual, o objetivo é que Itaquá tenha 70% do seu esgoto tratado até 2020. Hoje esse número é de 16,4%, segundo disse em nota a assessoria de Imprensa da Prefeitura de Itaquá.

 

INCRÉDULOS – Entre as várias localidades já “marcadas” para ser beneficiadas com o trabalho está o Marengo Alto. A GAZETA foi até o bairro para ouvir os moradores acerca da possível implantação de saneamento no local, que tem sérios problemas devido aos esgotos a céu aberto, exalando mau cheiro dia e noite.

“A situação fica insuportável nos dias de sol forte, quando o calor é intenso temos que ficar com portas e janelas fechadas porque o cheiro de podridão ‘entra’ todo em casa”, reclamou a estudante Luiza Lorenço, 18 anos. Moradora no bairro há 17 anos, ela disse que desde criança já ouvia promessas que iriam arrumar o esgoto. “Agora como vem novas eleições por aí já começam novas promessas de solução ao antigo problema”, afirma em tom de questionamento e de descrédito.

Vizinha da estudante, a comerciante Sandra Cristina Vieira, 60 anos, ficou otimista ao ser informada sobre a obra, mas se manteve reticente quanto a realização dos trabalhos. “Moro nessa casa há pouco tempo, mas já estou há muitos anos no bairro e o problema com esgoto é geral. Muito bom que fosse verdade, todos nós merecemos ser tratados com dignidade e ter as nossas reivindicações atendidas”, falou a comerciante.

Outro problema das casas na Avenida Gonçalves Dias – esquina com a Estrada do Mandi –, é uma galeria de esgoto aberta que oferece risco a pedestres e motoristas. “Já caiu um motociclista aí, não morreu por pouco”, contou Luiza. Na outra lateral da Estrada do Mandi, a tubulação da galeria está toda danificada. “Há anos está assim e só falam em arrumar em ano de eleição”, diz a estudante.

 

Resposta dos envolvidos

A Sabesp foi indagada pelo jornal se teria condições de executar todo o serviço de saneamento básico na cidade no prazo de dois anos (2018-2020), conforme divulgado pela Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Itaquá.
A empresa respondeu que o prazo passado à Prefeitura de Itaquaquecetuba (2020) se refere especificamente à conclusão de parte das obras de interceptores necessários para a coleta e tratamento dos bairros Horto do Ipê, Recanto Mônica, Jd. Napoli, Jardim do Vale, Campo Limpo, Residencial Pâmela, Jd. São Paulo, Marengo Alto, Jd. Odete, entre outros. “O prazo final para a realização dessas obras (redes e interceptores) nesses bairros e até 2023”, completou a Sabesp.




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