Educação em Xeque

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp. Foto: Divulgação

 

Por Luiz Gonzaga Bertelli

 

Muito tem se falado da real situação da educação brasileira. Da falta de preparação dos professores, da ausência de estrutura das escolas, dos currículos obsoletos que não preparam os jovens para o mercado de trabalho, entre outros tantos itens. Cada pesquisa que surge só vem comprovar a condição caótica em que se encontra o ensino. De acordo com o relatório De Olho nas Metas, divulgado recentemente pelo movimento Todos pela Educação, em 2013, apenas 54,3% dos jovens concluíram o ensino médio até os 19 anos. O número ficou bem abaixo da meta, que era 63,7%. Para o ensino fundamental, 71,7% dos estudantes se formaram até os 16 anos, também longe da meta de 84%. Os dados mostram que o Brasil ainda tem muito para que caminhar em um setor estratégico e fundamental para o desenvolvimento do País.

O levantamento mostra avanços no ensino fundamental, que criou o 9.° ano, ampliando a permanência do aluno na escola, mas não consegue resolver o gargalo do ensino médio. Somente 9,3% dos alunos do antigo colegial apresentaram proficiência esperada na disciplina de matemática. Em língua portuguesa, em que os alunos obtiveram um resultado melhor, a média ainda ficou longe da ideal, com 27,2%.

A realidade mostra que a crise na educação é endêmica. Percorre todos os Estados, sem preconceitos. Do Oiapoque ao Chuí, passando pelos mais ricos, como São Paulo e Rio de Janeiro, e chegando a destinos longínquos do sertão nordestino à Amazônia. É necessário que as autoridades atuem para aparar essas feridas expostas. Não dá para aceitar que um aluno permaneça 12 anos na escola e saia do ensino médio sem condições de fazer operações aritméticas básicas ou tenha problemas para interpretar um texto em português. Falar em língua estrangeira e ciências, hoje temas fundamentais para o mercado de trabalho globalizado, é ainda sonhar alto. A educação precisa ganhar a prioridade devida para que possamos preparar melhor nossos jovens. Esse é um dos papéis que o CIEE desenvolve ao longo de seus 50 anos de atuação, facilitando a inserção dos jovens no mercado de trabalho.