Em situação de miséria, família necessita ajuda

A dura realidade de quem vive em áreas afastadas no Centro é o retrato da fome e da falta de políticas

  

Por Gabriel Dias / Fotos: Bruno Arib 

   

As palavras já não saem com tanta precisão. Para se comunicar, Janaina dos Santos, de 38 anos, precisa de um dos filhos ou do companheiro Willian Moreira dos Santos, 46, para traduzir as palavras.

O motivo para tanta dificuldade ao se comunicar foi um AVC (Acidente Vascular Cerebral) que Janaina sofreu no dia 1º de janeiro deste ano. Tudo aconteceu quando ela caminhava ao lado da filha mais nova voltando da padaria do bairro Jardim Planalto, em Mogi das Cruzes.

Janaína sentiu seu corpo pesado e inesperadamente suas pernas e braços travaram. Sua boca já não respeitava os comandos do cérebro. Naquele momento, ela protagonizava um AVC. O único socorro foi a filha de 10 anos.

De acordo com moradores, a ambulância demorou a chegar. Já no hospital, amparada pelo médico responsável pelo plantão daquela manhã e dopada por inúmeros remédios, o doutor chegou a dizer: “Mais um desses ela morre.”

Antes do AVC Janaina era vendedora, mas como tantas outras mulheres negras e pobres, sofre com o que ela classifica como “preconceito”. Agora, com a voz comprometida, a mulher mãe de cinco filhos só fala o essencial e, por conta da falta de oportunidades, sofre com a fome. “Às vezes deixamos de comer para dar aos nossos filhos”, traduziu seu esposo.

Sentada na cama dentro do seu barraco de madeira com vista para as margens do Rio Jundiaí, Janaina abre em seu colo uma pasta repleta de baterias de exames da cabeça e do coração. O medo de morrer e não ver o crescimento dos filhos é permanente.

Willian, esposo de Janaina, é ajudante geral, no entanto, a dura crise financeira do País contribuiu para que ele fosse mais um na lista do desemprego. Para sustentar a família, ele caminha quilômetros e mais quilômetros empurrando um carrinho de reciclagem. No final do dia, o autônomo ganha aproximadamente R$ 40. Segundo ele, com este valor se compra mistura e pão para o café. Os outros utensílios são por meio de doações de igrejas evangélicas da região.

    

AJUDE – Para quem quiser ajudar a família, basta entrar em contato com pelo número: (11) 9-6477-8099 – falar com Raimundo.

  

Gazeta Regional

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