Escola em Mogi é referência no atendimento ao aluno autista

Unidade de Mogi tem programação especial na semana do autista. Dos 266 alunos matriculados, 80 são portadores da síndrome, que atinge quase 2 milhões no País. Fotos: Renan Xavier

 

Por Irânia Souza

De Mogi

 

O Dia Mundial da Conscientização do Autismo é comemorado no dia 2 de abril. A data tem como objetivo conscientizar a população sobre o transtorno no desenvolvimento do cérebro, que afeta 2 milhões de brasileiros e aproximadamente 70 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde (ONU). Em Mogi das Cruzes, a Escola Municipal de Educação Especial (Emesp) Profª Jovita Franco Arouche, na Vila Lavínia, é referência no atendimento a autistas na região. Dos 266 alunos matriculados na unidade, 80 são portadores desta síndrome. De acordo com a diretora da unidade, Juliana Nascimento de Souza Mattos, o atendimento é feito em duas esferas. “Nós trabalhamos com a Educação Especial exclusiva, que são os alunos matriculados só na Emesp, e com o Atendimento Educacional Especializado (AEE), que são alunos matriculados em escolas comuns, mas que recebem o atendimento aqui duas vezes por semana, no contraturno. É um complemento no desempenho deles na escola normal. Lembrando que também atendemos 23 crianças que estão no Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti. As professoras vão até o local para oferecer o atendimento escolar”, explicou.

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A rede municipal também conta com o trabalho realizado pelo Pró-Escolar – Centro de Atendimento ao Portador de Necessidades Especiais Ricardo Strazzi para o atendimento aos alunos matriculados em turmas regulares. “As crianças que apresentam um perfil de autista, o Pró-Escolar encaminha diretamente para a Emesp. Agora se é um aluno já com perfil de Ensino Fundamental ou com uma deficiência intelectual, ele recebe esse atendimento no próprio Pró-Escolar”, ressaltou a diretora.

Juliana também afirmou que a unidade atende somente crianças de Mogi. “Já houve momentos em que o aluno mudava de cidade e continuava recebendo o atendimento. Isso não acontece mais, até por conta da legislação. O mesmo valel para alunos matriculados em unidades estaduais de ensino. Nós atendemos apenas crianças que estão na rede municipal. Quando terminam o ciclo educacional aqui e precisam migrar para a rede estadual, o próprio Estado precisa oferecer um atendimento para esse aluno especial”, esclarece.

O trabalho com os alunos especiais não se resume apenas em sala de aula. Segundo a vice-diretora Renata San Giacomo Lima, passeios também fazem parte das atividades pedagógicas. “Eles visitam parques, teatros, shoppings, supermercados, cinema, feiras, centros culturais, enfim, tudo dentro do cronograma de atividades das professoras”.

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A grande procura por uma vaga na Emesp é o maior desafio para a direção da unidade. “Só do município nós temos triagem agendada até julho de 2016; é uma demanda muito grande. O interessante é que, como essas crianças estão indo cada vez mais cedo para a escola, nós conseguimos oferecer uma estimulação muito boa para o desempenho cada vez melhor, o que antes não acontecia. Elas estão tendo maiores possibilidades por conta de terem estímulos desde cedo”, afirmou a diretora.

 

História

A Escola Municipal de Educação Especial (Emesp) Profª Jovita Franco Arouche surgiu de um movimento formado por mães de crianças especiais no ano de 1987. “Na época, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Mogi não conseguia atender essas crianças. Então, as mães decidiram fundar uma instituição. Elas tinham algumas parcerias que conseguiam manter a entidade. Porém, chegou um determinado momento em que elas não tinham mais condições de dar conta. Então, entraram em contato com a Prefeitura, que assumiu o projeto, que virou o que hoje é a Emesp. Por isso que atualmente ainda atendemos alunos que são filhos dessas mães. O mais velho está com 68 anos”, contou a diretora Juliana.

A direção da escola ressaltou ainda que o ideal era que o município tivesse um centro de convivência para atender os alunos que recebem atendimento na Emesp, mas que já concluíram todo o processo educacional. “Já mudou o perfil, então eles precisam de outro tipo de atendimento; o ideal é que fosse feito em um centro de convivência”, disse ela.

 

Ação educativa

Sábado (2), a Emesp promoverá uma ação no Largo do Rosário, no Centro, das 9 às 12 horas. A equipe da unidade, pais, alunos e ex-alunos estarão orientando a comunidade sobre o autismo, com a distribuição de folhetos informativos.

Todas as sextas-feiras, a Emesp recebe professores de escolas municipais para orientação e, no dia 8 de abril, o tema será o autismo. “Dedicamos as sextas para atender os professores que trabalham com alunos com deficiência nas escolas e, nessa oportunidade, destacaremos o autismo”, adiantou a diretora da unidade. A cidade tem reservado, em seu calendário oficial, a Semana da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, realizada sempre na primeira semana do mês de abril.

 

O que é o autismo?

O autismo é uma disfunção global do desenvolvimento que afeta a capacidade de comunicação, socialização e de comportamento do indivíduo em graus e formas em diferentes quadros de severidade. O diagnóstico precoce e atividades educacionais específicas são grandes aliados no desenvolvimento de crianças autistas. Os pais devem ficar atentos às crianças desde os primeiros meses de vida, para detectar e tratar o transtorno o quanto antes.