Esse é um assunto que eu gosto muito

Maurício Vicentin é jornalista, tem 35 anos e 13 anos de carreira. Foto: Arquivo Pessoal

 

Por Maurício Vicentin

 

Escolhi a dedo o assunto de hoje. Adoro falar desse tema. Durante seis meses estudei a fundo e “in loco”, juntamente com o jornalista Ricardo Vergueiro, a situação das garotas de programa. Nos passamos por clientes, mas nunca usufruímos dos serviços.

Foi por causa de um comentário de um amigo que descobri a existência de um projeto de lei que visa formalizar a profissão de prostituta, uma classe que precisa se esforçar demais para garantir o próprio sustento e de sua família.

Deixando o preconceito de lado, acho a iniciativa válida, afinal, muitas garotas de programa sustentam famílias, correm risco de perder a vida e precisam ter garantias de aposentadoria, mesmo porque, em muitos casos, não contam com o apoio da família.

Amogianando o texto, no “Quadrilátero do Pecado”, localizado nas proximidades da Estação Mogi das Cruzes, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), trabalham meninas de toda a região Metropolitana de São Paulo e de cidades vizinhas.

Foram histórias de vida que ouvimos em 2002 e que me fazem refletir até hoje. Ouvi de uma menina de 15 anos que caiu na “vida” por ter sido expulsa de casa pelos tios, dias antes.

Não posso deixar de registrar a aventura de ligar para uma “agente de entretenimento masculino”, que se orgulha de ser filha de ex-prostituta e manter o “agenciamento de várias garotas”.

Foi essa empresária que nos contou uma história marcante. Certa garota teve as pontas dos seios cortadas e foi amarrada a uma árvore. Depois deste fato, ela passou a ter mais cuidado antes de marcar os programas.

“Se você falar em menos de R$ 120,00 aqui, sai morte”. “Dinheiro na mão, calcinha no chão”. Essas foram algumas das declarações que nunca saíram de minha mente. Olha que faz tempo!

Quero registrar aqui meu respeito às meninas que conheci. Espero que o projeto vença o preconceito e consiga dar dignidade às mulheres que trabalham duro, em situações anômalas, para sustentar as famílias que constituíram. Todos temos o direito de ter uma velhice assegurada por leis e direitos. Por que manter as damas da noite do lado de fora dos direitos?

 




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