Eu não preciso dar socos na mesa para administrar Arujá, diz Zé Luiz

Criticado pelo estilo democrático, o prefeito da cidade aniversariante rebate: “Jamais vou ser autoritário”

 

Por Lailson Nascimento / Foto: Bruno Arib 

 

Mesmo sendo avesso à promoção pessoal, o prefeito José Luiz Monteiro (MDB), o Zé Luiz, recebeu a reportagem para um bate-papo. Além do aniversário de 166 anos de Arujá, ele também falou sobre as críticas que sofre por ter estilo democrático. Confira trechos da entrevista:

 

Gazeta Regional (GR): Um terço do mandato como prefeito já passou. Nesse período, há críticas sobre um suposto loteamento do governo. Isso de fato ocorreu?

Zé Luiz Monteiro: A cidade não está acostumada com alguém democrático. A cidade quer alguém que decida só por si, que não converse. Por exemplo, se eu tenho um secretário de Obras que é engenheiro e tenho necessidade de saber alguma coisa desse ponto, desse tópico, com quem que eu vou conversar? Eu vou dar palpite na construção de uma ponte, na construção de uma estrada? Quando você faz isso as pessoas falam: “Está vendo, é um governo fraco, pois conversa.” Loteamento não tem. Os secretários sempre se reportam a mim, mas eu não preciso dar soco na mesa para administrar, eu não preciso ordenar.

 

GR: Há também a participação do Abel Larini no seu mandato, pois o senhor manteve boa parte dos secretários que trabalhavam com ele.

Zé Luiz: Realmente há vários secretários que vieram do governo Abel. Ele teve uma participação importante na campanha e eu aproveitei a experiência desses secretários. Agora, eles se reportam a mim, todos eles conversam comigo. Eu nunca vou vestir uma camisa de autoridade e falar “vai fazer do jeito que eu quero.” Eu sigo muito uma canção portuguesa chamada Grândola Vila Morena, do Zeca Afonso. Ela tem um verso que diz o seguinte: “O povo é quem mais ordena.” Eu estou aqui como representante do povo. Se você quiser ver aqui um déspota, se você quiser ver aqui um tirano, se você quiser ver um cara que manda todo mundo embora toda hora, você não vai ver nunca. Agora, se isso é sinal de fraqueza, é na cabeça de quem é fraco. Eu não estou aqui para isso, estou aqui porque o povo é quem mais ordena. Eu não quero sair daqui [da prefeitura] com nome de Avenida Zé Luiz Monteiro, não tenho esse perfil. Não tenho personalismo, e isso faz com que as pessoas critiquem. As pessoas querem que eu bata na mesa o tempo todo? Mas, independentemente das críticas, a minha obrigação é trabalhar. Tem prefeito que tapa um buraco na rua e quer aparecer. Eu não me preocupo com isso.

 

GR: O fato do senhor ser médico faz com que a população espere melhorias na saúde. O que avançou nesse setor?

Zé Luiz: Uma das minhas prioridades é melhorar as condições de atendimento na saúde. Essa é a minha angústia maior. Hoje atendemos 40% de pessoas no Pronto Atendimento (Central) que vêm de Guarulhos e de Itaquaquecetuba. Isso faz com que haja filas, e ninguém gosta de esperar. Mas estamos começando a resolver os problemas crônicos. Decidimos a questão da UPA [Unidade de Pornto Atendimento] do Barreto, que vai se tornar um Pronto Atendimento (leia mais na página 6). Trocamos a empresa que administra os PAs [Pronto Atendimentos] e a Maternidade e estamos renovando a frota de ambulâncias. Já está em trâmite de contratação, através de licitação, mais dois tipos de serviço. Um de médicos especialistas, que foi um compromisso de campanha, que nós não conseguimos fazer até agora porque está evoluindo burocraticamente. No Centro de Especialidades, finalmente Arujá vai ter cardiologista, faz quatro anos que não tem, otorrino que nunca teve, mais um ou dois psiquiatras e um ortopedista. Outra contratação será para o serviço de oftalmologia. Hoje a fila de espera é de mais de 4 mil pessoas precisando de uma avaliação oftalmológica. Eu já queria estar com isso resolvido, é uma situação de cobrança porque o prefeito é médico, o secretário de Saúde é médico, e não conseguem resolver? As pessoas têm que saber que existe um caminho legal para a gente fazer isso, não é na canetada.

 

GR: O que a cidade tem a comemorar nesta data?

Zé Luiz: Eu sou sincero em te dizer que há poucas coisas para se comemorar, por conta das dificuldades que enfrentamos. Mas estamos iniciando a reforma de todas as escolas, 41 unidades de ensino. Avançamos na prática de esportes, que explodiram em todos os tipos que você possa imaginar. Desde boxe até futebol de salão, desde vôlei até basquete, os vários tipos de dança, mais de 20% da população está desenvolvendo atividades físicas. E isso cresceu agora, depois da reforma em todas as quadras, a entrega de um novo ginásio. Atendimento ao idoso, com o Centro de Convivência do Idoso, aumentou em muito a procura, porque está tendo resultado. Agora, claro, saúde e educação, que são os mais importantes, nós estamos reformulando. Nós pegamos uma situação e estamos promovendo uma melhora nesses quadros. Vamos zerar em pouco tempo, talvez no ano que vem, a demanda de vagas em creches. É uma preocupação, pois foi inclusive tema de conversa com a promotoria. Nós estamos zerando isso, procurando caminhos que façam com que, no ano que vem, todas as crianças estejam na creche. Outra coisa: agilidade no atendimento, quebra da burocracia. No Projeto Web você consegue uma licença para abrir e construir uma empresa em três dias, coisa que demorava 60 dias. Nós vamos acabar com essa história de que abertura de empresa em outras cidades vizinhas, como em Itaquá, é mais rápido. Nós deixamos de arrecadar muito dinheiro, pois a legislação emperra todo mundo aqui. Mas estamos desenvolvendo um sistema para resolver esse problema.




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