“Eu represento um grupo que tem propostas de desenvolvimento para Suzano”

 

Por Lailson Nascimento

De Suzano

 

A exemplo da crise política que envolve o mais alto escalão do Poder Público no País, o município de Suzano também atravessa um momento de tensão entre os moradores e as lideranças locais. É justamente nessa conjuntura negativa que o administrador Rodrigo Ashiuchi enxerga uma boa oportunidade para mostrar que ainda dá para se fazer política com eficiência. Articulador de um grupo que promete priorizar as soluções para o município em detrimento de “picuinhas políticas”, o pré-candidato a prefeito se lança como a opção que representa a real mudança exigida pelo eleitorado. Na entrevista que segue, o prefeiturável avalia o atual momento do município, revela o que deverá compor suas propostas e explica a importância da sua filiação ao Partido da República. Confira os principais trechos.

 

Gazeta Regional (GR): Ashiuchi, há duas candidaturas, segundo pesquisas não-oficiais, que despontam como os candidatos que representam o novo. A sua e a do Israel Lacerda. Quais são as principais diferenças entre o sr. e ele?

Rodrigo Ashiuchi (RA): Alguns itens. A principal diferença da minha pré-candidatura para a do Lacerda é que a minha família tem muito a perder se eu manchar o nosso histórico. Minha mãe trabalha na área da educação há 40 anos. Eu tenho uma escola com mil alunos. Eu tenho o que perder. A minha equipe, no geral, tem o que perder. Ninguém vai querer manchar seu histórico na cidade. Não sou político de carreira e nem dependo dela para viver. Já ele não é o novo, porque já teve a sua oportunidade. Foi presidente da Câmara Municipal várias vezes e já tem um histórico político. Outra diferença primordial é que o suzanense quer alguém que realmente tenha facilidade para administrar; e eu venho da área de administração. E tem outra: a campanha dele é mais agressiva, de acusações. Já sabemos o que tem de errado na cidade e temos consciência de que a atual administração não vai bem. Então, a nossa campanha é de propostas e de soluções, e não de acusações. O povo suzanense espera uma mudança com soluções. Outra coisa é que a minha vinda para o PR aumenta também a articulação de busca de recursos não só no governo estadual como no governo federal. Imagina uma cidade como Suzano com um prefeito atuante tendo o apoio de dois deputados, como é o caso do André do Prado e do Marcio Alvino?

 

GR: Por falar nos deputados, ambos republicanos, a que se deve a filiação ao Partido da República?

RA: Eu militei nove anos no PSL, partido que tenho muito carinho porque era pequeno e nós acabamos crescendo juntos. Foi uma bela escola. Mas tive o convite do PR, coisa que muito de satisfaz, me deixa feliz. Não é de hoje que tenho uma aproximação com o Marcio Alvino e o André do Prado. Até fui convidado para participar nessas eleições por outros partidos, mas, pelo projeto, pelo que pensa o partido e pelo que eles esperam de mim, o grupo optou a juntar forças, tendo uma nova caminhada, reiniciando minha vida política pelo PR. Eu vejo que o projeto do PR, principalmente no Alto Tietê, é muito interessante, que visa lançar candidaturas com candidatos novos, que tragam outro pensamento para a política. Nesse sentido, o PR tem muito êxito em identificar grupos que tenham essa capacidade política. São candidaturas com propostas, soluções, novas ideias. Minha política é de trabalho, de propostas. Não estamos prometendo coisas faraônicas não. A gente até brinca que a nossa gestão será pés-no-chão, feijão-com-arroz, que vai trazer muitas melhorias para a cidade.

 

GR: O sr. pode traçar um esboço dessas propostas?

RA: Já tenho alguns pontos que serão apresentados como propostas do nosso Plano de Governo. Suzano precisa da implantação urgente de duas subprefeituras na cidade. Uma na região de Palmeiras e outra no Boa Vista. A subprefeitura vai ter a função de trazer a população para mais perto da administração municipal. É inadmissível um munícipe de Palmeiras ter que andar 20 quilômetros para vir e mais 20 para voltar para fazer uma reivindicação na prefeitura. O pior é que, muitas vezes, esse cidadão nem é atendido de forma correta, não consegue protocolar nada; e isso a gente quer mudar, através da subprefeitura. Lá no Dona Benta, a subprefeitura também vai atender a população. Passamos vários anos sem que houvesse um olhar diferenciado para essas regiões. Cada uma, da sua forma, andou para trás.

 

GR: Para as áreas da Educação e Saúde, o sr. já tem propostas?

RA: É lógico que toda cidade almeja um hospital novo, mas a minha ideia, a princípio, até porque a cidade não pode esperar a conclusão de um novo hospital, é desafogar a Santa Casa. Como desafogar? Nós temos um Pronto Atendimento na região de Palmeiras, também no Dona Benta, que não funcionam 24 horas, não têm médicos, não têm remédios. A gente quer reativar de forma completa, com atendimento emergencial, atendimento básico, esses dois pontos. Também faz parte do meu planejamento equipar melhor as UBSs nos bairros. Têm muitos casos que chegam à Santa Casa e que poderiam ser solucionados na rede básica. O pessoal critica muito, mas a mesma Santa Casa que atendia 50 mil habitantes hoje atende 300 mil pessoas. Na parte da Educação, temos um déficit muito grande de vagas em creches. Nós queremos, principalmente no início, firmar convênios com igrejas, sejam evangélicas, católicas, para que possam ser transformadas em creches com qualidade. Se as igrejas tiverem essa aptidão, com tudo certinho para receber crianças, nós vamos implantar esse mecanismo dentro da Pasta de Educação para atender à demanda de vagas que a cidade possui. Temos ainda um projeto para implantar creches noturnas, que beneficiarão as mães que trabalham num período diferenciado.

 

GR: É possível governar bem com a atual arrecadação?

RA: Sim. Mas o governo atual não busca. Suzano perde muita verba; e um dos planos que temos de mudança, diferencial do nosso governo, é que a gente vai fazer uma reestruturação do organograma da prefeitura. A prefeitura precisa ter uma equipe voltada para projetos, para a busca de recursos em todas as esferas do poder. Suzano perdeu, recentemente, cerca de R$ 25 milhões, que já estavam, inclusive, depositados para serem aplicados no Hospital Federal da cidade. Por quê? Perde prazo, projeto, e isso não pode mais acontecer. Eu acredito que, através dessa Pasta, atrelada às outras, a cidade vai ter um volume muito grande de projetos e de busca de recursos, melhorando muita coisa.

 

GR: Como não depender somente do orçamento próprio?

RA: Uma coisa que cresceu bastante nos últimos anos e que tem que ter numa administração municipal são as Parcerias Público Privadas (PPPs). Eu preciso ser um garoto-propaganda para que a cidade volte a atrair empresas, que faça o empresário se sentir interessado em investir em Suzano, porque hoje não há esse interesse. Essa realidade que a gente quer mudar. Eu quero que o suzanense me ajude a mudar a nossa casa. Isso é primordial.

 

GR: Como está a formação do grupo?

RA: Nós temos hoje seis partidos conosco, sendo o PSL, PRB, PTdoB, Solidariedade e o próprio PR, além do Muda Brasil, que está em formação. Mas continuamos recebendo visitas e a articulação política não para. Hoje, nós temos o maior grupo político já formado, com 128 pré-candidatos a vereador. Até as convenções, em meados de agosto, muita coisa pode acontecer.

Entrevista_Ashiuchi - foto 2 @divulgação

Gazeta Regional

Fundada por Laerton Santos no início dos anos 2000, a GAZETA tem como principal missão integrar as dez cidades que compõem a região do Alto Tietê, tendo como diferencial o olhar crítico que define a linha editorial do veículo. Em busca de contato cada vez mais próximo com seu público, o jornal tem investido na cobertura diária, utilizando as mídias digitais para esse fim.

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