Ex-motoboy consegue ajuda para tratamento médico

Auxílio imediato a mogiano que fez apelo para devolver a dignidade à família

 

Por Aristides Barros / Fotos: Bruno Arib

 

Foi imediato o atendimento ao pedido de ajuda do ex-motoboy Francisco Neto de Almeida, 46 anos, que fez um apelo visando conseguir um médico que diagnostique sua doença e como curá-la, e após isso poder voltar à ativa para cuidar de sua família. Ele, a esposa e cinco filhos – todos menores de idade –, vivem em condições subumanas em um barraco no Distrito de Jundiapeba, em Mogi das Cruzes.

Depois de algumas horas da GAZETA postar em sua página, no Facebook, um vídeo onde Almeida expõe parcialmente o seu problema, a solidariedade dos internautas foi instantânea. A resposta positiva à reportagem publicada às 16 horas de quinta-feira (8) veio no mesmo dia.

Quinta à noite, o taxista Carlos Eduardo Pereira, 38, acendeu esperança ao caso se dispondo a auxiliar Almeida. “Sim, sensibilizou muito porque a gente viu que ele não pediu dinheiro. Mas um tratamento para recuperar a saúde. Vamos procurar um médico que veja qual é a doença que ele tem, e que o encaminhe para o tratamento certo”, disse.

Na tarde de sexta-feira (9), o taxista levou o ex-motoboy para iniciar o tratamento que Almeida persegue há ao menos três anos.

 

CALVÁRIO – O calvário de Almeida começou em 2015 ao ser acometido por uma doença que arremessou sua vida para baixo.

“Eu era autônomo, trabalhava de motoboy, ganhava R$ 3,5 mil por mês, morava em uma casa alugada, pagava R$ 500, tinha moto e quatro carros, vivíamos muito bem. Depois que fiquei doente fui buscar tratamento médico. E para pagar tive de vender a moto e os carros. Vieram as dificuldades porque já não podia mais trabalhar e nem pilotar. Pela demora em descobrirem o que eu tinha fui declinando, até vir morar aqui. Os médicos não falam o que eu tenho. Já passei por exames de gastro, diabete, colesterol, labirintite, coluna. Fiz uma série de tratamentos e o mal-estar continua”, explica.

 

DESOLADOR – O local onde o ex-motoboy vive com a esposa Lucélia Pereira Gonçalves, 39 anos, e os filhos Fernando, 17 anos; Lisandra, 16 anos, Vitor, 10 anos; Valéria, 5 anos; e Larissa, 2 anos, não se enquadra no que é chamado de casa humilde: fica bem longe deste conceito.

Um dia antes da GAZETA ir ao local, uma forte chuva havia caído, o que aumentou a dramaticidade das condições da família dentro do minúsculo barraco, que pela quantidade de água no chão de terra batida descrevia que o casal e as crianças haviam passado a noite sendo açoitados pela chuva caindo do “teto” esburacado e entrando pelos espaçamentos das madeiras arrebentadas.

O cheiro forte de esgoto, fezes e urina são insuportáveis. E os olhos das crianças perturbam a mente diante do quadro real de miséria humana deprimente. Larissa – o bebê – suga o seio materno, talvez provando o único alimento que a mãe pode oferecer.

A pequena Valéria vai a uma “mesa” e, de um saco de papel, tira o pão que leva a boca, depois caminha e senta-se na cama de casal improvisada, surrada pelo tempo. A vida da família é uma sobrevida, a casa, uma submoradia: todos eles vivem em condições subumanas.

 

 




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