Ferraz é o município que menos investe em saúde

Administração de Zé Biruta não tem tratado os serviços públicos de saúde como prioridade

  

Por Lailson Nascimento / Foto: Bruno Arib

  

Ferraz de Vasconcelos foi o município do Alto Tietê que menos investiu na saúde de cada habitante durante todo o ano de 2017: R$ 200,61. A informação é do CFM (Conselho Federal de Medicina), que fez um levantamento dos gastos de todas as cidades do País [exceto Fernando de Noronha (PE) e Brasília (DF)] no setor.

Os dados, que podem ser conferidos na página, foram aplicados pelos gestores municipais com recursos próprios em Ações e Serviços Públicos de Saúde (ASPS), declaradas no Sistema de Informações sobre os Orçamentos Públicos em Saúde (Siops), do Ministério da Saúde. No estudo, o CFM não considerou verbas aplicadas por outras esferas de governo, tais como o Governo do Estado e a União.

Dos municípios da região, sete diminuíram os gastos com saúde entre 2016 e 2017 – período de transição de um governo para o outro.

Dentre os que optaram por reduzir o orçamento destinado à saúde, Guararema foi o que mais perdeu no Alto Tietê: passou de R$ 1.004,62 de investimento por pessoa em 2016 para R$ 504,78 em 2017.

Por outro lado, Biritiba Mirim obteve o maior salto: passou de R$ 193,29 em 2016 [o investimento mais baixo do Alto Tietê naquele ano] para R$ 307,09 no ano de 2017.

     

SOBRECARGA – Apesar do baixo valor per capita aplicado em algumas regiões do País, grande parte dos municípios brasileiros estão se vendo cada vez mais sobrecarregados, investindo, em média, quase 30% de seus orçamentos na saúde.

Esse cenário, segundo avaliação feita pelo conselho de medicina sobre os gastos das prefeituras com saúde, decorre de dois fenômenos: a queda da participação do Governo Federal no financiamento do SUS (Sistema Único de Saúde) e a manutenção dos gastos estaduais ao longo dos últimos dez anos.

Segundo os dados oficiais, nos últimos dez anos, só as despesas municipais com recursos próprios aumentaram quase 50%, passando de R$ 55,7 bilhões, em 2008, para R$ 82,5 bilhões, em 2017, em valores atualizados pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).