Idosa morre no PA Central de Arujá e família diz que foi negligência médica

Segundo informações de familiares, idosa chegou andando no PA, foi medicada, passou mal, ficou de observação e morreu três dias depois dentro da unidade

 

Por Gabriel Dias / Foto: Bruno Arib

 

Maria Bernadete da Silva, de 66 anos, morreu na noite de segunda-feira (14) no PA (Pronto Atendimento) Central de Arujá depois de passar aproximadamente três dias hospitalizada. O que motivou a internação da idosa foi o que familiares da vítima disseram ser negligência médica.

Segundo a explicação de familiares e amigos, a idosa chegou no último sábado (12) no PA Central com fortes dores e vômito. Ao passar pelo médico – que não teve seu nome revelado -, o profissional disse, segundo relatos de familiares e amigos, que ela estava com uma leve infecção na urina e deu a ela morfina.

Ainda de acordo com os familiares, a recomendação passada ao médico por uma das filhas da idosa foi de que o medicamento não deveria ser dado no vaso sanguíneo do braço, e sim no pescoço.

Depois de ser medicada com morfina, Maria Bernadete passou mal e ficou em observação. A orientação passada pelos profissionais da saúde daquela noite foi de que a idosa precisava ser entubada, no entanto, segundo familiares, a falta de um cateter prolongou os processos para entubar a paciente. Com o passar das horas seu quadro clínico piorou, mas depois de tanto esperar, a idosa pôde ser entubada.

Familiares da vítima disseram que no PA não havia agulha fina para atingir o vaso sanguíneo da idosa e uma das acompanhantes de Maria Bernadete disse que nem o medicamento omeprazol havia na unidade: “Eles precisaram comprar o remédio na farmácia”, fala uma das filhas da idosa.

 

ENTERRO – A vítima foi sepultada na tarde desta terça-feira (15) no cemitério municipal II às margens da Rodovia Mário Covas, em Arujá. Familiares e amigos que acompanharam a luta da idosa nestes últimos dias se revoltaram com o caso e pela internet gravaram um vídeo.

Israel Antônio, 51, mais conhecido como Índio do Cachoeira, mora na cidade e é amigo da família e um dos militantes da saúde no município. À GAZETA ele disse que a situação é crítica e, com um celular, gravou o desabafo da família que disse que “nem cachorro merece ser tratado assim”. Em um dos relatos da família, no fim do sepultamento, uma das acompanhantes disse que o médico pediu perdão e a orientou tirar a idosa da unidade.

 

O QUE DIZ A SAÚDE – Em resposta ao caso encaminhada pelo WhatsApp, o IDGT (Instituto de Desenvolvimento de Gestão, Tecnologia e Pesquisa em Saúde e Assistência Social), OSS (Organização Social de Saúde) responsável pelo Pronto Atendimento Central de Arujá, lamenta o ocorrido e informa que o caso passa por rigorosas apurações na Comissão de Óbito e no Conselho de Ética do Hospital.

“Todas as medidas necessárias serão tomadas e esclarecemos que durante todo o período que a família esteve na unidade todos receberam apoio do serviço social e da parte administrativa”, ressalta o Instituto.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou lamentar o ocorrido e que assim que tomou conhecimento do fato notificou o IDGT a prestar esclarecimentos possíveis e a realizar uma completa apuração do caso, acompanhado pelo co-gestor e secretário adjunto da Saúde, Martino Piatto.

A gestão de José Luiz Monteiro (MDB), o Zé Luiz, também assegurou que um relatório sobre o caso deverá ser finalizado amanhã (16). “Possíveis medidas administrativas a serem adotadas pela Secretaria da Saúde também dependem da conclusão da apuração do caso”, acrescentou.

O IDGT, que assumiu a gestão dos PAs Centro e Barreto e da Maternidade Municipal no dia 19/10/2018, mantém contrato com a prefeitura, por 12 meses, no valor global superior a R$ 27 milhões.