Infância que constrói

Jeruza Lisboa Pacheco Reis é advogada e professora, mestre em Filosofia, vereadora em Poá, autora do livro “Rosa-Choque…” e “Poá: De Província à Estância Hidromineral”. Foto: Divulgação

 

Por Jeruza Reis

 

Quão doce é rememorar os tempos em que éramos pequenos, momentos que nos trazem um verdadeiro paraíso de lembranças, descobertas, carinhos e, principalmente, o despertar de tudo aquilo que sabemos. Aliás, Januzck já dizia “tudo o que sei aprendi no Jardim de Infância”.

Arremataria afirmando que tudo que sei e sou aprendi em tenra idade. Afinal, tive a infância mais rica que uma menina pobre pode ter; rica no sentido de brincar muito, de poder correr descalça na grama, de subir em árvores para chupar jabuticaba ou apanhar goiaba, por exemplo. Pude, ainda, pular barranco, brincar de gangorra e de balanço na árvore do quintal.

Ah! o quintal… ele tinha galinheiro, chiqueiro com porcos, horta, pomar e um monte de bichinhos que as crianças (quando se divertem na terra) descobrem, como o tatu-bola, as minhocas, as lesmas, as lagartixas e os filhotinhos de passarinhos. Em meio a estas aventuras memoráveis, também tive contato com a planta dormideira (ótima para nos colocar de pé na segunda-feira) e tomei muito banho de riacho.

É claro que uma infância assim, tão recheada de brincadeiras, se completa quando se tem em cena uma avó que ensina a costurar e a fazer bonecas de pano e que conta histórias de Monteiro Lobato.

Enfim, que gostosura de infância, com gosto de bolinho de chuva, de canjica com amendoim e de paçoca com banana (tudo diretamente de Cachoeira Paulista, é claro, onde vivi até os meus 9 anos). Poderia, ainda, acrescentar a farofa de içá, mas não são todos os gostos que apreciam esta opção gastronômica. De qualquer forma, ela torna mais doce a recordação, cheia de cheiros e de deliciosas memórias, como passear na Praça do Coreto após a missa dominical, ou andar de charretes depois de fazer compras no Mercadão Municipal. Coisas de Cachoeira, Paulista como nunca e apaixonadamente apaixonante.

Essas doces recordações nos reportam ao verdadeiro sentido da vida, fazendo valer a pena quaisquer outros dissabores que, por ventura, sobrevenham em nossas vidas.

Para aproveitar o futuro, é preciso respeitar e valorizar o passado e lançar mão de nosso melhor no presente. Só quem sabe de onde veio terá certeza para onde quer ir e onde pretende chegar.

 

 

 




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