‘Itaquá é um poço de problemas e, se não houver pulso firme, não vamos sair desse buraco’

“Sou pré-candidato a prefeito de Itaquaquecetuba. Minha pré-candidatura não depende do aval de ninguém, não sou vice de ninguém, não vou abrir para ninguém”. Foto: Renan Xavier

 

Por Lailson Nascimento

De Itaquá

 

Com quase 20 anos de experiência política em Itaquaquecetuba, o vereador Roque Levi Santos Tavares (PSD), o Dr. Roque, pretende lançar sua primeira candidatura a prefeito. Com pré-candidatura já confirmada, Dr. Roque fala, em entrevista exclusiva ao Gazeta Regional, sobre o atual momento da cidade e propõe soluções para alavancar o desenvolvimento da cidade. Confira os principais trechos da entrevista a seguir:

 

Gazeta Regional (GR): Dr. Roque, como o sr. avalia o governo do prefeito Mamoru Nakashima?

Roque Levi Santos Tavares (Dr. Roque): O cenário está complicado. À época da campanha, o prefeito Mamoru falou, em diversos debates, que se ganhasse a eleição, não saberia o que fazer. Ele ganhou, está aprendendo até hoje, depois de três anos e um mês de governo, e o povo está sofrendo. Ele trouxe um secretariado todo de fora, de cidades vizinhas, secretários esses que não têm compromisso com a nossa cidade, que não conhecem a realidade de Itaquá, e que dificulta ainda mais o trabalho do chefe do Executivo.

 

GR: O sr. não é o primeiro entrevistado a falar do secretariado ‘de fora’. A que se deve isso?

Dr. Roque: Hoje nós temos um grande problema em Itaquá: com exceção de William Harada e Sonia Maziero, temos secretários que só estão no governo para receber salário, porque não criam projetos, não apresentam um plano de trabalho, e o município não anda. O erro do Mamoru é sua falta de conhecimento. Ele não atende os interesses da população de Itaquá, mas, sim, os interesses daqueles que estiveram na campanha.

 

GR: Esse é o principal erro do Mamoru, ou seja, sua escolha em relação ao secretariado?

Dr. Roque: Eu digo sempre que, com raríssimas exceções, isso é um erro, porque além de nomear secretários que são de fora, os que foram nomeados não têm conhecimento técnico das pastas. Por exemplo, nós temos a Secretaria de Planejamento, que eu entendo que é uma das mais importantes. Esta pasta vai planejar a cidade para os próximos, cinco, dez, quinze anos. Mas o prefeito pegou quem para tocar a Secretaria? Um agrônomo. E quem era esse cidadão? Alguém que ficava andando pela cidade, com uma ‘pampinha velha’, cheia de verduras dentro do carro. E ele nomeou esse cidadão como secretário de Planejamento. Nada contra, mas uma Secretaria precisa de uma pessoa com perfil técnico para aquela atividade. E o que aconteceu nessa pasta é inconcebível. Esse é o problema de Itaquá hoje: fisiologismo. As pessoas só estão aí para receber salários no fim do mês. Mas o que ele produziu? O que ele apresentou de concreto para melhorar a vida do povo de Itaquá? É esse o grande problema.

 

GR: Em relação à arrecadação da cidade, a previsão de arrecadação com o IPTU para 2016 é considerada baixa em relação às cidades vizinhas. A que se deve isso?

Dr. Roque: Isso se deve aos grandes problemas fundiários existentes na cidade. O problema é que o prefeito, para causar espanto da população e da classe política, quando assumiu o mandato, a primeira coisa que ele fez foi acabar com a Secretaria da Habitação. Ele poderia, através da Secretaria e junto com o programa Cidade Legal, do governo do Estado, implementar ainda mais a regularização fundiária e, consequentemente, aumentar a arrecadação com o IPTU. Agora, para nomear um apadrinhado dele, criou novamente a Secretaria, que não funciona do mesmo jeito.

 

GR: Qual é o perfil ideal de prefeito para Itaquá?

Dr. Roque: Falta uma pessoa com perfil melhor de gestão. Pulso firme, não chorar o leite derramado, dizer que a administração anterior saqueou, fez isso, aquilo, isso não existe. Eu nunca vi um prefeito que entra e que não seja do mesmo partido do que esteja saindo dizer que a prefeitura encontrou em ordem. Mas se eu tenho um problema de despesa na minha casa, e a prefeitura não é diferente, eu tenho que diminuir as despesas. Como é que eu não tenho dinheiro e o lixo, que custava R$ 24, passou para R$ 48 milhões? Então quer dizer: o primeiro passo, se eu tenho problema de caixa na empresa, é fazer gestão das despesas e das receitas, tentar aumentar as receitas e diminuir as despesas. E isso não aconteceu, muito pelo contrário. Os contratos estão aí e provam que veio-se aumentando gradativamente as despesas através dos contratos.

 

GR: Como a Câmara tem acompanhado o mandato do Mamoru?

Dr. Roque: Hoje, na realidade, somente eu e o vereador Silvani somos, de fato, oposição. A Câmara Municipal virou um órgão ‘chancelador’. Aprova tudo, não questiona, os projetos chegam às 17 horas, daqui a pouco estão sendo aprovados, não tem discussão. Na minha época, por exemplo, a população contava com a TV Câmara. O vereador Val implementou, eu mantive, mas a TV foi encerrada. A sociedade não consegue acompanhar pela internet, online, o que a Câmara está produzindo, anteciparam o horário para as 17 horas, mudaram o grande expediente – que é a hora que o vereador fala -, quer dizer, o vereador que usar a Tribuna vai falar para as moscas. Com essas ações, nós estamos tirando da Câmara a participação popular.

 

GR: O senhor confirma que é pré-candidato a prefeito?

Dr. Roque: Sou pré-candidato a prefeito pelo PSD, dia 30 vamos fazer um grande evento no espaço Morena Rosa, minha candidatura não depende do aval de ninguém, não sou vice de ninguém, não vou abrir para ninguém, ficam dizendo que vou apoiar A ou B, mas isso não existe. Eu tenho uma candidatura independente. O pior que pode acontecer é perder a eleição. É claro que eu quero ganhar, mas se eu me preocupasse com isso, sairia candidato a vereador, que eu tenho uma eleição relativamente garantida.

 

GR: Vários são os nomes ventilados como pré-candidatos. Porque tantos?

Dr. Roque: Eu costumo dizer que têm candidaturas aí que são balão de ensaio. A pessoa está colocando o nome para ser chamado para conversar, pensando não propriamente na campanha para prefeito, mas numa eventual candidatura de vice, e é isso aí. No final, seis ou sete candidaturas chegarão até o fim.

 

GR: O senhor aposta num segundo turno?

Dr. Roque: Hoje, pelas pesquisas que circulam na cidade, tenho certeza que teremos um segundo turno.

 

GR: O grupo do Mamoru diz que ele já está reeleito. Como o senhor avalia essa postura?

Dr. Roque: O segundo turno é uma nova eleição e eu acho que, quem não votar nele no primeiro turno, dificilmente vai votar no segundo. Ele sofre do mal de todos os prefeitos: acha que já ganhou, que está muito bem, mas a realidade é que ele não entregou nada, não fez nada. O que existe hoje é o que o Armando deixou. A grande preocupação da gente, que está disputando a prefeitura, é em 2017 não ter nada para inaugurar, porque ele não está deixando nada. Tudo o que o Mamoru inaugurou, como três escolas, três creches, CS II, UPA, Ginásio de Esportes do Piratininga, foi a administração anterior que deixou para que o governo dele somente inaugurasse. Com 90%, 70% de obra concluída. Dele, que o governo dele planejou, iniciou, isto é, projeto dele, não tem nada.

 

GR: Em resumo, qual é a plataforma de governo que o senhor defende para a cidade?

Dr. Roque: Eu sou defensor de uma gestão mais eficiente, fazer uma administração de vanguarda, olhando para o futuro, melhorando o que tem aí. Saúde e Educação são primordiais na minha plataforma, porque não adianta a gente pensar em outras coisas se a cidade não está bem nessas duas áreas, que são a base de tudo. No
Alto Tietê, região composta por dez cidades, nós temos a pior qualidade no ensino. Então, a gente precisa pensar nisso. Somos carentes em todas áreas, quer dizer, Itaquá é um poço de problemas e, se não tiver pulso firme, buscar gestão eficiente, com apoio dos governos estadual e federal, bons projetos, a gente não vai conseguir sair desse buraco.

 

Perfil

Nome: Roque Levi Santos Tavares

Idade: 51

Partido: PSD

Natural de Ubatã (BA), Dr. Roque, como é conhecido em Itaquá, ganhou sua primeira eleição como vereador em 2000, estando atualmente no curso de seu quarto mandato consecutivo. Na Câmara, esteve na presidência por duas vezes (entre 2005 e 2006 e, depois, entre 2011 e 2012), além de ter atuado também como diretor jurídico da instituição antes de assumir como vereador. Em 2011, sendo deputado estadual suplente, foi convocado para assumir uma vaga, mas optou por continuar como presidente da Câmara em Itaquá. Morador da cidade desde 1979, concluiu o curso de Direito em 1986 e, desde então, vive de sua profissão, em seu escritório no bairro do Caiuby. Dr. Roque é pai de 6 filhos.