Itaquá: fundada, refundada e inacabada

Por Igor Santos

Diana, amiga minha, que também estuda História na Unifesp, em Guarulhos, e mora em Itaquaquecetuba, iniciará em breve sua pesquisa precursora sobre a fundação de Itaquá. Jamais feita na academia, baseada em documentação, historiografia (textos produzidos a partir de pesquisas documentais), sob a orientação de um especialista em colonização indígena na região, o professor Dr. Zeca Vilardaga, sem nenhum apoio do Poder Público municipal e destoando do que diz o presidente Jair Bolsonaro (PSL): esse é o tipo de balbúrdia que as universidades públicas têm feito.

A pesquisa, que leva o título: “Bandeirantismo e cristianismo, práticas em sincronia: estudo sobre a função social do aldeamento de Nossa Senhora d’Ajuda no processo de ocupação do planalto da Capitania de São Vicente (1560-1640)” pretende esmiuçar algumas hipóteses para a fundação de Itaquá levantadas a partir da pesquisa prévia feita por ela e também elucidar alguns outros pontos que surgiram na pesquisa a partir da analise da historiografia sobre São Paulo e seus aldeamentos no período.

Enquanto lia seu projeto de pesquisa fiquei surpreso com algumas coisas que vi. Primeiro, que há duas hipóteses de fundação da cidade: uma que remete ao século XVI (1560), o que nos lega uma fundação anterior à de Mogi das Cruzes, e outra que remete ao século XVII (1640); segundo, é possível que o aldeamento do século XVI tenha acabado por uma epidemia de varíola, que dizimou a população indígena; Terceiro, é muito provável que João Álvares, “padre fundador” da cidade, tenha sido um bandeirante (caçava os povos indígenas e lucrava com isso). Por último, não diferente de muito político e empresário que explora econômica e socialmente nossa cidade, o padre possuiu residência em Mogi das Cruzes, São Paulo, mas era daqui que vinham suas atividades lucrativas. Fundada, refundada e ainda assim, inacabada. Algumas das tarefas para nossa geração e as futuras.

Igor Santos

Igor Santos é estudante de história na Unifesp, professor e coordenador na UNEafro Itaquá