“Itaquá não pode ser tratada como uma cidadezinha do interior”

Foto: Lailson Nascimento

 

Por Lailson Nascimento

De Itaquá

 

Em meados de outubro, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) esteve em Itaquaquecetuba e, na ocasião, estimou que a cidade alcançará, até o fim da década, 1 milhão de habitantes. Nesse cenário de crescimento desordenado, que submete seus moradores ao maior índice de vulnerabilidade social (IVS) da Grande São Paulo, o empresário Luciano Dávila (PDT) defende um projeto de mudanças estruturais na administração municipal para amenizar os problemas sofridos pela população. Com o apoio das principais lideranças do PDT, o presidente da Associação Comercial e Industrial (Acidi) já articula sua pré-candidatura a prefeito e, na entrevista que segue, esboça suas ideias para garantir o desenvolvimento da cidade.

 

Gazeta Regional (GR): Luciano, na cidade, cerca de dez pré-candidaturas a prefeito já foram anunciadas. Quais são os diferenciais que lhe tornam como a melhor opção nesse contexto de pré-candidatura?

Luciano Dávila: Hoje, quase 70% da população do País quer prefeitos que não estejam envolvidos em escândalos e vícios políticos. E eu me encaixo nesse quesito renovação. Nunca exerci cargo público, mas tenho longa experiência como empresário em Itaquaquecetuba, estou presidente da Associação Comercial há X anos e sempre fiz um trabalho visando o desenvolvimento da nossa comunidade. Itaquá não pode ser tratada como cidadezinha do interior, uma terra de coronéis com 30 mil habitantes. Nós precisamos ter gestores com visão futurista, que sentem na cadeira hoje e que enxerguem 15 anos para a frente. Precisamos trabalhar não pelo hoje, mas, sim, pelo amanhã. Falta essa visão na cidade. Um exemplo são as obras públicas, cujos projetos são desenvolvidos sem que haja a preocupação de se criar uma estrutura que dê condições de expansão no futuro. Eu tenho uma visão futurista e é nesse sentido que pretendo desenvolver um projeto para a cidade.

 

GR: Para o senhor, qual o maior desafio de Itaquá?

Luciano: O maior desafio do município é a segurança. Precisamos colocar a Guarda Municipal na rua com mais apoio, para que ela possa oferecer mais atendimento à população, porque as pessoas reclamam muito da segurança. Nós temos que reforçar a Guarda. E como isso deve ser feito? Por meio da qualificação. É preciso aumentar o efetivo de guardas, dar condições de trabalho, sempre priorizando a qualificação. Outro problema é a escuridão na cidade. Por onde você anda, dá para perceber a precariedade da iluminação pública. Isso põe a população em risco, porque, a partir do momento que não tem iluminação, aumenta-se o risco dos delinquentes atacarem as pessoas. A prefeitura recebeu a responsabilidade da iluminação pública, mas, até hoje, a licitação não foi feita. Essas coisas não podem acontecer. Quando o problema vai ser resolvido? A população não pode esperar. Isso é caso de urgência.

 

GR: Como o senhor avalia o sistema municipal de saúde?

Luciano: A saúde não vai mal só em Itaquaquecetuba, é um problema nacional, de base. Mas o que tenho percebido é que, na cidade, não há interligação entre as unidades de saúde, falta o mínimo, que é um sistema informatizado. A pessoa pega remédio num posto e, com o mesmo receituário, pega o mesmo medicamento em outro posto. Quer dizer: eu peguei três vezes e você, que também precisa, não consegue o medicamento. É preciso fazer um cadastro, um cartão que registre que a pessoa foi em determinado local, pegou medicamento e, quando ele for a outro local, o sistema o impeça de pegar o mesmo remédio. Hoje, não existe controle algum no sistema de Saúde de Itaquá. Com as consultas médicas, acontece a mesma coisa. As pessoas marcam a mesma consulta em diversos postos de saúde e, quando o outro cidadão vai marcar, não tem mais vaga. Precisa-se de organização, um banco de dados, até para formar um histórico de cada pessoa, os exames que as pessoas já fizeram, os medicamentos que o paciente está tomando. Isso agiliza todo o sistema, diminui custos e garante mais atendimentos para a população.

 

GR: O atual prefeito tem explorado muito a questão das inaugurações de postos. Qual a sua opinião sobre isso?

Luciano: É muito simples. Não adianta inaugurar posto de saúde, centro médico, se você não tem estrutura de atendimento, isso não resolve nada.

 

GR: O que falta para o atual prefeito, em termos de eficiência?

Luciano: Está faltando gestão para essa administração. As coisas são muito desencontradas. As pessoas estão lá, mas, muitos nem sabem o papel que estão cumprindo. É preciso ter determinação, a prefeitura precisa ter um gerente que seja de pulso. Se você tem uma empresa, e existe uma rotatividade muito grande de funcionários, de chefes, o que está acontecendo com essa empresa? Ela está com algum problema de gerenciamento. A mesma coisa é a administração pública. Um gestor que troca, em menos de três anos, mais de 60 secretários, algum problema tem. E nessa rotatividade de secretários, o município é o mais prejudicado, porque entra um, sai outro, e até se adequar, pegar o ritmo de trabalho, muitos meses foram perdidos. Temos um governo com equipe sem harmonia. Dos secretários que assumiram no começo do mandato, poucos ficaram. Falta conhecimento e autonomia para os secretários do atual governo. Isso é um descaso com a população. Tem que respeitar o dinheiro do contribuinte.

 

GR: E em relação aos empresários, comerciantes, que garantem boa parte do orçamento da cidade, falta contrapartida da prefeitura?

Luciano: Essa gestão não teve preocupação nenhuma e nada fez pelo empresariado de Itaquaquecetuba. Principalmente pelo pequeno empresário. Não foi criado um projeto de regularização dos pequenos comerciantes, não foi lhes dado o incentivo necessário, então, está um caos total. Nós temos outro problema sério, que está relacionado aos ambulantes. Eles precisam dá atenção da administração municipal, precisamos alocá-los em algum lugar, dar condições de trabalho, porque eles não podem continuar trabalhando como está ocorrendo hoje. Não existe nenhum tipo de cadastro, não há oportunidades deles se legalizarem, contribuírem com o município e serem tratados como humanos. São seres humanos, precisam trabalhar e com condições dignas. Mas, até então, eles estão esparramados pela cidade, sem condições nenhuma.

 

Perfil

Nome: José Luciano Júlio Dávila

Idade: 51 anos

Partido: PDT

Formação: Na presidência da Associação Comercial e Industrial de Itaquaquecetuba (Acidi) há 8 anos, Luciano Dávila é empresário da rede hoteleira na cidade e seu atual mandato seguirá até 2018