Jundiapeba comemora 80 anos

Por conta da data, distrito mogiano ganhou um livro que conta a história desde a sua origem, nos tempos dos ‘Campos de Santo Ângelo’

  

Por Giovanna Figueiredo / Fotos: Bruno Arib

  

Há 80 anos nascia o Distrito de Jundiapeba, em Mogi das Cruzes. Seu início foi na capela de Santo Ângelo, construída pela Ordem dos Carmelitas. Outros marcos do bairro são: Sanatório de Santo Ângelo (atual Hospital Dr. Arnaldo Pezzuti Cavalcanti) e a estação ferroviária de Santo Ângelo (estação de Jundiapeba).

O Distrito nem sempre teve esse nome, pois inicialmente era chamado de Jundiapahuba. Posteriormente o local foi batizado como Campos de Santo Ângelo e só em 1938 passou a se chamar Jundiapeba, que é a junção dos nomes dos rios Jundiaí e Taiaçupeba. O nome foi escolhido pelos próprios moradores.

Essa história foi contada pelo estudante de Jornalismo Gustavo Gomes, que fez um livro sobre a história do Distrito. O livro “80 anos de Jundiapeba” foi um trabalho de conclusão de curso de universidade e conta a história do local, bem como das pessoas que vivem ali e que ajudaram a construir o bairro.

Em entrevista à GAZETA, Gomes afirmou que o objetivo dele era mostrar o outro lado do bairro, para que os moradores tenham orgulho de onde vivem. “Todo mundo só fala de problemas e de criminalidade em Jundiapeba. Eu fui criado do lado do Distrito e sei que não é só isso, por isso escolhi retratar a história do local e das pessoas que vivem lá”, afirmou.

O trabalho é inédito no município e o autor diz que pretende levar o trabalho adiante e que pensa até em contar a história de outros distritos e bairros da cidade.

Gustavo Gomes segura livro que escreveu para o TCC da universidade

  MORADORES – A GAZETA visitou o distrito, que é considerado o 3° maior de Mogi, para conversar com moradores e conhecer de perto a história do local. Logo que a equipe chegou ao bairro, deparou-se com Osvaldo Ferreira dos Santos, o Osvaldo do Mercado.

Ao saber sobre o que se tratava a matéria, ele contou que já havia sido vereador e que durante seu mandato buscou melhorias para o bairro, apontando uma a uma enquanto andava pelas ruas. O vereador (como é chamado pelos amigos) levou a equipe para conhecer o bairro, e junto com a repórter passou a buscar pessoas que moravam há muitos anos no bairro.

A equipe partiu para a Chácara dos Baianos, onde Osvaldo nos levou até o agricultor Josemiro Barboza de Moraes, o Miro. No caminho o ex-vereador contou que o local foi comprado por uma empresa da região e os moradores quase perderam suas propriedades, mas conseguiram resolver o problema.

Ao chegar na chácara, a equipe se deparou com vários trabalhadores em suas respectivas plantações. Chegando na casa de Miro, ao longe ouvia-se uma voz a cantar enquanto regava a plantação. Curiosa, a equipe foi ao local, e lá estavam dois homens a trabalhar. Um deles contou que era capoeirista e que cantava uma música de roda. Não quis dar o seu nome, nem entrevista ao jornal, mas em seu olhar era possível ver o amor pela terra e pela capoeira.

Ao avistar Miro, foi possível notar o sorriso de um homem que ama o campo e a sua vida. Ele contou que uma das suas maiores realizações é ser pai e que tem uma filha formada em arquitetura. A reportagem entrou em sua propriedade e o agricultor mostrou com orgulho as hortaliças viçosas.

Miro contou que conheceu Jundiapeba através de um primo, veio de Pernambuco, chegou em São Paulo dia 1 de janeiro de 1978. “Lá em São Bento do Una, eu já era um garoto do campo, trabalhava com gado e chegando aqui eu me apaixonei de ver tanta hortaliça, eu nunca tinha visto isso antes. Mas no início não tive a oportunidade de trabalhar só com isso, eu fiquei cinco anos em São Paulo, trabalhando em fábrica, mas meus finais de semana não eram num shopping, era aqui, no campo”, lembra.

Ele conta que quando chegou eram poucas pessoas, e depois vieram os pais, amigos, primos, e hoje são 414 produtores rurais que sobrevivem através da agricultura familiar.

Segundo o agricultor, quando chegou, “Jundiapeba era uma vilinha de primeira”, e explicou o porquê: “Eu quero dizer de primeira porque quando você estava na marcha primeira e puxava a segunda, acabava essa vila. Então Jundiapeba hoje é um dos maiores bairro de Mogi, com grande potencial comercial e de agricultura. Jundiapeba hoje é a menina dos olhos de Mogi.”

Para finalizar ele contou que ama a terra que vive. “Eu amo morar aqui. Sou pernambucano de nascimento e mogiano de coração. Jundiapeba é um bairro que eu tenho como um dos grandes exemplos da minha vida, amo as pessoas que moram aqui e amo esse lugar. O objetivo do povo aqui é derrubar muros e construir pontes, e Jundiapeba encontra-se nesse patamar hoje.”

“Na época em que fui vereador, conseguimos trazer muitos benefícios para Jundiapeba”
Osvaldo do Mercado, ex-vereador

Saindo da casa de Miro, a reportagem retornou ao restaurante da família Miranda, e lá Osvaldo declarou que o melhor de Jundiapeba é o povo, que todos se ajudam. “Parabéns a Jundiapeba, e ao povo daqui, que é muito acolhedor. O Distrito melhorou muito, mas ainda tem muita coisa para melhorar”, finalizou.