Lamentações profundas e medalhas

Da Redação / Foto: Reprodução 

 

Dois acontecimentos ocorridos em um curto espaço de tempo em duas cidades do Alto Tietê, com ambos sendo extremamente violentos, levaram os holofotes para o Palácio dos Bandeirantes, onde o governador Jorge Doria estrategicamente cuida de emoldurar sua imagem já para a próxima eleição presidencial.

Aliás, já fez questão de se “deixar” ser visto ao lado do presidente da República em várias oportunidades quando a imprensa cobria a “guerra da reforma da previdência” desencadeada entre Jair Bolsonaro e seus filhos ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Enfim, têm câmeras, tem ação, tem Dória na parada. E aí tem o início do projeto Brasília.

Voltando ao Alto Tietê, as duas ocorrências sanguinárias: uma na escola Raul Brasil, em Suzano – com um saldo de 10 mortos, entre eles os dois matadores de estudantes – e o mais recente, ainda com sangue bem fresco – a morte de 11 bandidos no assalto frustrado a agência bancária em Guararema, onde o banco foi estourado com explosivos e os corpos dos assaltantes com armas de grosso calibre -, o Palácio dos Bandeirantes deu um jeito de posicionar as câmeras da imprensa nacional para o local, que conta com não raras aparições do governador presidenciável.

A sede governista e seus respectivos órgãos são agora uma espécie de central de informações, com a necessidade de todo o aparato de imprensa se deslocar ao Morumbi para obter detalhes do que se dá entre uma investigação e outra, dependendo da dimensão do acontecimento.

É importante a presença do governador ou das pessoas protagonistas dos episódios e envolvidas neles e que neles atuaram diretamente? Os jornalistas preferem o segundo item e reservar às autoridades (se o governador estiver no meio delas) as perguntas sobre o que será feito para evitar o acontecimento de ocorrências idênticas.