Lucas do Liceu: ‘Itaquá precisa de proposta política diferente’

GAZETA abre espaço para eventuais candidatos a prefeito nas cidades do Alto Tietê em 2020; empresário de Itaquaquecetuba estreia série de entrevistas

 

Por Lailson Nascimento / Foto: Bruno Arib

 

Aos 38 anos, o empresário Lucas Costa (Patriota), o Lucas do Liceu, se articula para disputar a sexta campanha política em Itaquaquecetuba. Por mais que tente afastar seu nome das discussões sobre o pleito de 2020, sua pré-candidatura a prefeito é assunto em qualquer roda de conversa sobre o tema na cidade. Ao aceitar que a disputa pelo cargo tem se tornado a cada mais inevitável, Lucas do Liceu comenta, em entrevista exclusiva à GAZETA, como vem construindo suas bases. “O trabalho é contínuo”, diz ele, apimentando: “Eu não sumo de uma eleição para a outra.” Confira os principais trechos da entrevista:

 

Gazeta Regional (GR): Nas últimas eleições, em 2018, você obteve mais de 20 mil votos só em Itaquá como candidato a deputado estadual. Diante desse contexto, quais são os seus planos políticos para 2020? Você já está em campanha?

Lucas do Liceu:  Eu acredito que a cidade precisa de uma proposta de política diferente. Se você fala que estou em campanha, digo que não, estou trabalhando. O meu trabalho é contínuo, eu não sumo de uma eleição para a outra, e na verdade já disputei algumas eleições e o trabalho é contínuo e crescente, pois nunca parei de trabalhar. As eleições aparecem de tempos em tempos na minha vida, mas o trabalho social, com a educação, ele é contínuo. Se você fala que estou em campanha, não, mas se você fala que estou trabalhando em prol da cidade, eu continuo porque nossa cidade ainda é muito carente. Acredito que precisamos de alguém aqui da cidade, alguém que olhe pela cidade, que seja da cidade também, que tenha essa aproximação.

 

GR: Existe uma impressão de que o povo de Itaquá não se interessa por política. Como você sentiu esse tema na última campanha?

Lucas:  Aqui na cidade, além das pessoas se preocuparem muito com a política, elas sofrem com a política, e isso faz elas se preocuparem ainda mais. Porque quando você está sem médico, quando seu filho está sem professor na escola, você vai reclamar com quem? No meu bairro, ali na Vila Japão, sua casa está cheia d’água, não dá pra reclamar só de Deus. Você tem que ter alguém que é culpado por isso, você tem que ter alguém nem culpado, mas responsável por isso. Então, eu acredito que aqui em Itaquá as pessoas se envolvem bastante com política por causa disso, porque estão sofrendo. E não adianta, não vai achar um caminho diferente, se não for pela política, a solução desses problemas. Não posso eu como empresário chegar lá no bairro e instalar máquinas para tirar a água. Não pode, quem tem que fazer isso é o poder público. Em Itaquá eu vejo isso, como nosso povo está sofrendo muito, e já há muito tempo, já são muitos anos seguidos de sofrimento, eles pensam muito em política, então por isso eu acredito que eles conversem mais, se interessam bastante, embora ainda falte bastante canais de comunicação com o povo. Eu tento sempre falar diretamente com eles, todos os dias estou em um bairro, estou conversando com alguém, seja dando uma palestra, seja conversando com as pessoas na rua, e falta ainda esse contato. Eu vejo os políticos da cidade muito distantes do povo.         

 

GR: As pessoas criticam bastante a classe política atual, e quem é eleito reclama, dentre outras coisas, da arrecadação, da dificuldade em buscar recursos em outras esferas. Pra você, o que falta de fato nesse sentido?

Lucas: Eu acho que o que falta é vontade. Infelizmente está faltando muita vontade em todo mundo. O povo está desanimado porque os políticos falam muito, e produzem quase nada. Se a gente tiver políticos com mais vontade, que estão mais próximos das pessoas, eu tenho certeza que esse quadro muda. Itaquá é uma cidade carente, isso eu tenho certeza, e qualquer um que pensar diferente disso está pensando errado. Nós precisamos de muita ajuda. Mas, quem precisa de ajuda não pode ter vergonha de pedir essa ajuda e não pode ficar parado, quieto, esperando a ajuda cair do céu. Eu vejo muitas pessoas falarem da questão do desemprego na cidade. E para todo mundo que está desempregado eu falo que é preciso continuar acreditando. Vai fazer um curso, entregar currículos, vai atrás, porque esse movimento ajuda a trazer coisas boas para a sua vida. Em Itaquá a gente só reclama, mas ninguém faz nada. Acredito que precisamos de um político conectado com o povo, e os dois juntos, com essa vontade de mudança, fazer isso acontecer, e não só ficar nos diálogos. Eu lembro que nos projetos que fazemos com os jovens, a grande reclamação nos bairros é sempre essa. Aí me perguntam o que posso fazer. Eu já estou fazendo. Quais são as suas promessas se um dia você for eleito? O trabalho vai continuar, e ampliar o que a gente faz. Esses políticos distantes, estrelinhas, do tipo “eu vim salvar o planeta Itaquá e vamos resolver tudo de uma vez”: Mentira, se não for com união, com muito trabalho, não vai mudar isso.

 

GR: As próximas eleições devem ser marcadas por dois temas muito fortes: Educação, que é sua área, e Segurança, tema defendido por outro pré-candidato muito forte também. Quais são as diferenças entre esses dois temas?

Lucas: A segurança é fundamental, se a gente não bater de frente com a criminalidade, se a gente não criar uma rotina de segurança, esquece, nada vai dar certo. Mas, vamos lembrar: segurança é um remédio para um sintoma que está lá atrás, que é a falta de educação, falta de oportunidades para as pessoas. Se você pensar que só com a segurança vamos resolver os problemas, não vamos. Hoje, qual o maior problema de Itaquá na criminalidade? As bocas, é o tráfico. Quando você tem um monte de jovens na esquina, e esses jovens quem vai captar eles para o crime? O traficante adora jovem, porque ele tem ambição de ganhar dinheiro e, principalmente, tem tempo livre. E se for preso ainda volta para a rua. Não resolve nada prender um jovem desse. Só que essa ambição, essa vontade, esse tempo livre, no mercado de trabalho também vale ouro. Se ele tivesse oportunidade de ter se qualificado, de ter conseguido construir pelo menos o começo da sua carreira. Por isso é que trazemos projetos como a Guarda Mirim, projetos de bolsas do Liceu [Brasil], porque sei que temos que combater muito firme a violência, mas mais que isso, a gente precisa lá atrás não deixar esse jovem, essa criança que depois vai virar adulto e aí sim ele vai cair no crime. Nós precisamos muito de educação. É uma questão de escolha mesmo. Como pai, a gente tem que pensar muito bem. Se a gente quer o nosso filho preso ou se quer o nosso filho estudando, trabalhando. Se for só prender o filho, não resolve, a família fica destruída, fica tudo errado. Claro que não estou falando que não é para prender bandido, pois bandido tem que ser preso. Mas, antes, a gente tem que dar uma atenção para ele, e a falta de atenção que está levando os nossos jovens para o caminho errado. Eu fui diretor da Fundação Casa e via muito bem essa realidade. Jovem bom, esperto, pra frente, caia no crime porque era a única opção que ele tinha. Itaquá, hoje, abandona os jovens, abandona quem quer procurar um emprego. Vai agora em qualquer estação de trens. Você vai ver descaso com as pessoas, com o trabalhador, com a mãe que chega do trabalho. É muito descaso com a nossa população. Se a gente não pensar em arrumar essa situação e olhar para as pessoas que estão passando por essa dificuldade, te falar, pode prender todo mundo, a cidade vai continuar ruim.

 

GR: Você disputou a última eleição pelo Patriota. Mas, como é tudo muito dinâmico, você tem recebido propostas de outros partidos?

Lucas: Nós estamos conversando com todos os partidos. Na verdade, não só um para eu disputar, nós estamos fazendo uma grande junção de partidos que estão preocupados com a cidade, principalmente com gente que é da cidade e que está preocupado com a cidade. Estamos conversando com muito partidos, entre eles o partido Novo, PSD do [vereador Carlos Alberto] Santiago, Podemos, partidos que têm raiz com a cidade e que estão preocupados com a cidade. Estou dando prioridade para aquelas pessoas que gostam mesmo, que querem participar da política. Mais importante que os partidos é achar essas pessoas e conversar com elas. Ninguém está aguentando mais a cidade assim.

 

GR: A campanha não está na rua, mas existe um trabalho que não dá mais para volta atrás.

Lucas: A pré-candidatura vai acontecer no momento certo. Mas mais importante do que eu querer são as pessoas acreditarem no meu potencial para fazer essa mudança. Eu aguardo mais a resposta dessas pessoas, que tem acontecido. Segundo mais votado para vereador, segundo mais votado para deputado, são 20 mil pessoas que acreditaram em mim na última campanha. Se eu tivesse disputado a última eleição só perderia para o Mamoru [atual prefeito] no número de votos, então eu acredito que é uma parcela grande da população que vê essa ideia de mudança e vê que precisa ser nós, não vai ser ninguém de fora que vai resolver a nossa situação. Tem que ser o povo mesmo, a gente aqui da cidade que vai resolver isso.

 

Assista entrevista na íntegra: