Mais de 100 famílias de Bertioga ‘perdem’ suas casas em desocupação

Despejo em massa no Jardim Vicente de Carvalho deixa mulheres, crianças e idosos na rua; a prefeitura da cidade é que “brigava” pelo terreno

 

Por Aristides Barros / Fotos: Divulgação

 

Ação de reintegração de posse deixou sem teto aproximadamente 130 famílias do Jardim Vicente de Carvalho, em Bertioga. Acontecida nesta terça-feira (11), a retirada de famílias envolveu funcionários públicos municipais da cidade e a Polícia Militar.

O terreno estava sendo reivindicado pela prefeitura bertioguense, que é a autora da ação e que, agora, após a “vitória” do processo, vai entregar o imóvel ao Estado para obras de recuperação ambiental.

Os governos municipal e estadual firmaram um acordo que envolve todo o bairro no projeto de moradias que está a cargo da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano).

Ao menos três vereadores da Câmara de Bertioga tentaram sensibilizar o prefeito bertioguense Caio Matheus (PSDB), para que pedisse junto ao Judiciário a ampliação do prazo para a desocupação do local até o mês de abril de 2019, para que as famílias saíssem da área com dignidade.

O tucano nem chegou a conversar com o grupo de parlamentares elencados por Ney Lyra (PSDB), Sílvio Magalhães (PSB) e Valéria Bento (MDB). Na falta de diálogo o povo foi parar na rua. Segundo a prefeitura, a ação é necessária para que a CDHU possa concluir o projeto habitacional “Vicente de Carvalho II”, com a construção de 42 moradias a partir de janeiro.

Ainda de acordo com as informações da gestão Caio Matheus (PSDB), haveria estrutura (como caminhões e vans) para mudança e leva de pertences dentro dos limites do município, embora os moradores do local afirmem que o apoio foi insuficiente.

 

DESOLADOS – Depois que os moradores deixaram suas casas seguiu-se a demolição, com as máquinas jogando no chão alguns anos de trabalho. As imagens registradas no local mostram que à medida que os governantes se distanciam da população, acontece a destruição da própria relação humana antes existente, e que era baseada no respeito.

Crianças desnorteadas próximas aos que restou de suas casas, adultos andando segurando uma telha ou porta, ilustravam um cenário de guerra após um bombardeio. Muitas das crianças afetadas pela reintegração talvez terão um Natal traumático, mas a vida segue.