Marcus Melo fala de realizações e de planos para a reta final de mandato

   

Por Lailson Nascimento/ Fotos: Laerton Santos/ Bruno Arib / Reprodução 

  

Com 5,8 mil servidores públicos, a Prefeitura de Mogi das Cruzes é um desafio para qualquer gestor que esteja à frente da administração municipal. Próximo do término da primeira metade de seu governo, entretanto, o prefeito Marcus Melo (PSDB) garante que o município só tem crescido, apesar das crises política e financeira do país, justamente pela eficiência do trabalho dos funcionários públicos. A observação foi um dos destaques da entrevista concedida pelo tucano na terça-feira (11), quando Melo fez um balanço do seu trabalho. Confira os principais trechos da entrevista:

   

Gazeta Regional (GR): Na semana passada o senhor promoveu um encontro com seus secretários, adjuntos e diretores e o assunto envolveu os primeiros dois anos de governo. Também foi falado sobre o restante do mandato?

Prefeito Marcus Melo: Foi uma prestação de contas interna, porque a prefeitura é muito grande, e às vezes uma Secretaria não sabe o que a outra vem realizando, porque cada um acaba cuidando mais das suas próprias atribuições. Então foi uma prestação de contas de tudo o que foi realizado em 2017 e 2018, e também foi mostrado a todos quais são os projetos da cidade para 2019 e 2020. No geral, pedi empenho e dedicação de todos.

  

GR: O que mais se pode destacar do encontro?

Melo: O nosso objetivo principal é que todos, cada um na sua responsabilidade, na sua função, saiba o que está acontecendo na cidade e as melhorias possam ser implementadas. O país passa pela sua pior crise econômica, inclusive de ordem política, uma crise tributária, mas a cidade continua e todos nós temos que implementar as melhorias necessárias para que o dia a dia do mogiano possa melhorar. Foi uma reunião de trabalho, de mostrar o planejamento para os próximos dois anos, e um balanço, uma reunião pra gente conversar sobre o cotidiano da cidade.

  

GR: O senhor chegou a discutir mudanças na equipe de governo?

Melo: Foi só um balanço mesmo. Estamos trabalhando muito para aumentar a eficiência da prefeitura como um todo, capacitando os funcionários. Mais de 7 mil pessoas sendo capacitadas na Escola de Governo [alguns fizeram mais de um curso], com vistas a buscar a eficiência na administração pública. É uma coisa nova dentro do setor público, de mostrar aos colaboradores a importância de se ter procedimentos, processos, métricas e metas.

   

GR: Quais são as prioridades para 2019-2020?

Melo: Os projetos que foram construídos e pensados de acordo com a vontade da população, que estão de acordo com a demanda da cidade. Vamos continuar investindo muito na Saúde, porque é a referência no Alto Tietê, inclusive atendendo várias outras cidades. A Educação também é uma prioridade, pois já houve uma escolha de se ter uma Educação de qualidade, desde os projetos de creches, construção de novos Cempres. E a Segurança, que é uma demanda nova para os municípios. As prefeituras não tinham no passado a preocupação de investir em Segurança, e eu coloquei isso como prioridade: pessoal, equipamentos e instalações adequadas [para a Guarda Civil Municipal].

  

GR: E o saneamento básico, também está entre as prioridades?

Melo: Estamos buscando recursos através das oportunidades que temos junto ao governo federal. Mas é muito importante lembrar que enquanto estive à frente do Semae, fiz um trabalho para permitir que, hoje, a autarquia faça investimentos com recursos próprios. Estamos com a obra do Botujuru sendo retomada, as obras de Jundiapeba e a distribuição da Vila Moraes.

SANEAMENTO – Semae trabalha em diversas vias de Jundiapeba
     

GR: Tem também um empréstimo de R$ 34 milhões aprovado pela Câmara Municipal recentemente.

Melo: Esse financiamento é para a área do Nova Jundiapeba, pois existe uma área que ainda não foi contemplada. Ainda em relação aos investimentos no setor há a reforma, ampliação e modernização da ETA (Estação de Tratamento de Água) Central, que atende a grande maioria da cidade. Na Chácara Guanabara nós temos a construção de um reservatório e também da distribuição. As pessoas que ali residem precisam da atenção da prefeitura. Por fim, estamos colocando uma ETE isolada em Sabaúna, que é a primeira do município. Existem vários bairros urbanos afastados, tais como Taiaçupeba, Biritiba-Ussú, Boa Vista, São Martinho, Nove de Julho, Varinhas. São bairros urbanizados que não têm o devido tratamento de esgoto. Então esse projeto piloto começa em Sabaúna pra gente aprender e replicar nos demais bairros.

   

GR: Por falar em Semae, existe uma ofensiva da Sabesp em assumir os serviços de água e esgoto nos municípios independentes. Em Guarulhos, por exemplo, acabou de acontecer isso. Mogi corre esse risco?

Melo: Não tem nada nesse ponto, não tem nada conversado, não existe nada nesse sentido. Guarulhos pagou a conta que tinha de mais de R$ 3 bilhões com a Sabesp, porque o município pegava água e não pagava, então repassou o SAAE [Serviço Autônomo de Água e Esgoto] pela dívida. Diferente de Mogi, que tem todas as contas com a Sabesp em dia porque é bem administrado. Então há uma diferença muito grande. É natural que a capacidade de investimentos da Sabesp é bem maior, mas nós estamos trabalhando e avançando na melhoria e implementação do tratamento do esgoto, nosso maior desafio.

  

GR: A prefeitura também lançou o Projeto+Mogi Ecotietê. O senhor pode dar detalhes desse projeto?

Melo: É um projeto que construímos com vários secretários da prefeitura. Discutimos qual o caminho da cidade para os próximos anos, quais são os recursos necessários, e identificamos que a região Oeste, onde está a Avenida das Orquídeas, já recebeu investimentos, Brás Cubas também já recebeu investimentos, além da passagem subterrânea na área central. Então você percebe que do Centro para a região Oeste foram investimentos estruturantes. E uma região que já é apontada pelo próprio Plano Diretor de necessidade de acompanhamento de melhorias de infraestrutura é a região Leste. Então foi construído o projeto Ecotietê, que tem como ênfase ambiental a recuperação do Tietê. Nós estamos no início do rio, e é justamente onde ele começa a receber uma carga de esgoto. Por isso o projeto está voltado à recuperação ambiental, preservação da mata nativa na várzea do rio, mobilidade e também áreas de lazer no entorno.

PROJETO – Com cerca de R$ 365 milhões em investimentos, programa Mogi+Ecotietê promete mudar a cidade nos próximos 10 anos
   

GR: Então o eixo central do projeto é a recuperação ambiental?

Melo: Meio Ambiente, mobilidade urbana e saneamento básico. Dentro disso nós temos a criação de parques, criação de coletores tronco, ampliação da ETE e obras de mobilidade para desafogar a rotatória do Habibs, a Avenida Narciso Yague Guimarães e a João XXIII. São obras que foram pensadas de acordo com o Plano Diretor da cidade, o Plano de Mobilidade, o Plano de Saneamento e o Plano de Drenagem. A região de César de Souza não recebeu grandes investimentos, exceto a Estação de Tratamento de Água e de Esgoto, nos anos de 2005 e 2006, e nós entendemos que essa questão ambiental e de mobilidade devem receber uma atenção.

  

GR: Qual a previsão de investimentos e onde buscar os recursos?

Melo: O objetivo é investir R$ 365 milhões. Eu estive no Banco Mundial em Washington, nos Estados Unidos, no Banco de Desenvolvimento Internacional, estivemos com o Fonplata, estivemos na CAF, estivemos na Comissão de Financiamento Externo e o Ecotietê foi previamente aprovado junto ao Cofiex no dia 28 de setembro de 2018. Esta questão de buscar recurso internacional é uma prática que vários municípios já fizeram e vêm fazendo. Eu cito aqui cidades que neste momento estão com obras, tais como Taubaté, Jacareí, Joinville, Palmas, Fortaleza, todas com recursos internacionais. Mas a gente ainda precisa aprovar o projeto de lei na Câmara Municipal e no Senado.

  

GR: Se faz parte do Plano Diretor, é para os próximos 10 anos.

Melo: É um projeto a médio prazo. As necessidades de mobilidade e ambiental são demandas de acordo com o crescimento da própria cidade. E esta região continua crescendo, continua se desenvolvendo.

  

GR: Saindo um pouco dos projetos estruturantes, como estão os assuntos que geralmente preocupam a população nos inícios de ano, como o transporte?

 Melo: Na questão da tarifa a gente vai analisar os pleitos que são apresentados pelas empresas. Elas já apresentaram solicitações [de R$ 5,65, segundo o que foi apurado pela reportagem]. O papel da prefeitura é permitir que os contratos sejam cumpridos, que o funcionamento das empresas seja de maneira correta, e os contratos de concessão cabe ao município administrá-los com as empresas que prestam os serviços. Mas não há nada definido.

  

GR: Existe também a discussão sobre a renovação da concessão à CS Brasil, que termina em 2019.

Melo: Nós vamos analisar a questão da concessão do transporte agora no início do ano. Há um grupo de trabalho que já vem conversando sobre isso e a gente vai definir o assunto no começo do ano.

  

GR: E o IPTU, como deve ficar?

Melo: Já enviei o projeto de lei à Câmara informando o aumento de acordo com a inflação, pouco mais que 4,56%, de acordo com o IPCA.

  

GR: Politicamente, dizem que o senhor rompeu com o ex-prefeito Marco Bertaiolli. Isso é verdade?

Melo: As pessoas falam demais. Eu e o Marco somos amigos, não tem nada disso, e eu tenho feito um trabalho de cuidar da cidade e o Marco me ajuda em tudo aquilo que for possível.

Trabalhamos para ele ser eleito deputado federal, fomos vitoriosos. Eu cuido de uma prefeitura que foi bem administrada, mas que passa pela pior crise econômica do país, dois anos com PIBs negativos, mas com muita seriedade, tanto é que Mogi é uma das poucas cidades que têm suas contas em dia, uma das poucas cidades que não tirou nenhum serviço, e uma das poucas que continua crescendo com qualidade de vida. Temos duas unidades de pronto atendimento e vamos passar para a terceira.

O Brasil tem 170 unidades de pronto atendimento que foram construídas e sequer começaram a funcionar. Isso só é possível porque tem uma prefeitura bem administrada. 

                

GR: O senhor também assumiu a coordenação do PSDB na região. Quais são os desafios?

Melo: Tenho a missão de reestruturar o PSDB na região, pois o partido passa um momento muito difícil. Nós tivemos a diminuição de deputados estaduais e federais, mas saímos muito fortes com a vitória ao governo do Estado, que é o maior governo do Brasil, com a vitória do João Dória. Então a gente vai trabalhar primeiro para atender as necessidades da população de Mogi em parceria com o governo estadual. A questão de reestruturar o PSDB é um momento onde o PSDB precisa se reencontrar, ouvir novamente a população, convidar novas pessoas para poderem participar a boa política, como no momento de fundação do PSDB. É um desafio a mais, mas eu recebi esse convite do presidente e vamos trabalhar. O meu compromisso maior sempre vai ser o de cuidar da cidade.

  

GR: Já pensa em reeleição?

Melo: [Risos]. É muito cedo para falar sobre isso. O meu trabalho é cuidar da prefeitura de Mogi neste momento, porque a prefeitura tem muito trabalho, mas com a equipe boa as coisas estão avançando muito bem. Vamos analisar [reeleição] lá na frente.




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