Massacre não se comemora, diz líder indígena sobre o 19 de abril

O Dia do Índio é dia de luta após a vitória de Jair Bolsonaro que, ainda em campanha afirmava que no seu governo os índios não teriam mais nenhum centímetro de terra 

 

Por Aristides Barros (Especial para a GAZETA) / Foto: Divulgação

 

O líder indígena Sergio Karaí, de 56 anos, mora na Aldeia Rio Silveira – que fica na divisa de Bertioga e São Sebastião, no Litoral de São Paulo. Na tribo vivem aproximadamente mil índios, e independentemente da idade, dos mais novos aos mais velhos, nenhum deles vê motivos para festejar o 19 de abril (Dia do Índio). “Não se comemora massacre”, enfatiza o nativo.

Ele data que o genocídio de seu povo começou há cerca de 500 anos, iniciado com a invasão portuguesa – o que é narrado pela “história” como descobrimento do Brasil – e varou os cinco séculos, tendo continuidade nos tempos atuais, o que reduz aos poucos o número de pessoas genuinamente nativas da terra. 

A preocupação real com a dizimação total dos povos indígenas cresceu na subida ao poder de Jair Bolsonaro (PSL), que bradava furiosamente que sendo eleito no seu governo os índios não teriam mais nenhum centímetro de terra. A demarcação das terras indígenas sempre foi um problema, e no discurso do atual presidente, o problema é aumentado com a possibilidade das terras deles diminuírem, até não terem mais nenhum lugar para viver, morar e morrer como os seus ancestrais.

“O que a gente quer é que nos deixem em paz. Já tiraram quase tudo da gente, temos muito pouco, então só pedimos que nos deixem em paz com esse pouco”, afirma o líder indígena, que se queixa da inexistência de oportunidade dos índios na sociedade.

“Não temos uma educação que faça que o índio chegue à faculdade. E agora querem que o índio passe a ser atendido na rede municipal de saúde. Temos um atendimento diferenciado na aldeia e sabemos que a rede municipal mal consegue atender vocês, se tiver que atender a aldeia não vai ser bom para nós”, afirma.

 

VISITAÇÃO – Os índios não querem vivenciar os problemas que estão fora da tribo, mas não são contra a aproximação amistosa de quem queira visitá-los e comungar com eles os encantos da natureza, que respeitam e necessitam para sobreviver. “Temos a nossa produção agrícola, artesanato e trilhas para os que gostam de andar com a natureza. A gente sabe cuidar bem dela porque é a razão da nossa existência”, ensina, evidenciando no semblante e nos tons das palavras ingenuidade e sabedoria ao mesmo tempo.

A Aldeia Rio Silveira está aberta à visitação de turistas, escolas e entidades sociais, entre outros tipos de aglutinados de pessoas que sabem se unir sem mapear diferenças visando estabelecer uma relação pacífica e troca mútua de conhecimentos e experiências que celebrem a harmonia entre os seres humanos. Os contatos podem ser feitos diretamente com Sergio Karaí pelo telefone (12) 99640-9723.     

Gazeta Regional

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