Maternidade é um dos gargalos de Mogi, diz secretário de Saúde

Na chefia da Pasta, Dr. Chico Bezerra diz que lutará pela construção de maternidade no município

  

Por Lailson Nascimento / Foto: Bruno Arib

  

Todo médico que se envolve com a coisa pública deve ter na cabeça um planejamento que, no seu entendimento, melhoraria o serviço público de Saúde. Pelo menos é o que acontece com o vereador licenciado Francisco Moacir Bezerra de Melo Filho (PSB), o Chico Bezerra. Há pouco mais de uma semana à frente da Secretaria Municipal de Saúde de Mogi das Cruzes, ele tem a segunda oportunidade [ocupou o mesmo cargo em 1995] de melhorar aquilo que, na visão dele, aumentaria a qualidade dos serviços municipais no setor. Depois de realizar cerca de 15 mil partos, o obstetra já tem um objetivo principal: a construção de uma maternidade municipal.

Confira os principais trechos da entrevista:

   

  
    

Gazeta Regional (GR): Secretário, o senhor assumiu a Pasta há pouco mais de uma semana. O que já deu para identificar em termos de desafios?

Dr. Chico Bezerra: Essa semana foi de conhecimento, saber como funcionam os setores da Secretaria de Saúde. Nós temos uma bela equipe, um pessoal muito competente, que já faz esse trabalho há alguns anos e eles conseguiram passar uma infinidade de coisa positivas e algumas coisas que precisam ser feitas. É claro que também fizemos algumas visitas, como ao CAPS-AD e ao Hospital Municipal, e agora vamos iniciar um trabalho de visita a alguns postos de saúde. A tendência natural é de conhecimento, de procurar saber o que existe e aquilo que a gente pode ajudar, porque o nosso pensamento com relação a tudo isso é que além de gerir uma Secretaria, você tem que pensar lá na ponta, ou seja, no bom atendimento à população.

  

GR: E quais foram os problemas identificados?

Dr. Chico: Na área da Saúde sempre há problemas. Mogi é uma cidade grande, temos quase 500 mil habitantes. Nós temos 23 UBSs (Unidades Básicas de Saúde), 12 PSFs (Postos de Saúde da Famílias), duas unidades 24 horas, o Hospital Municipal, então há uma infinidade de coisas que precisam ser feitas, analisadas, e às vezes até ser melhoradas. Mas de uma maneira geral o setor vem funcionando muito bem. O serviço de saúde de Mogi é muito positivo e bem aceito pela nossa população e bem aceito pela população dos municípios vizinhos. Cerca de 30% das pessoas que procuram os nossos serviços de saúde vem de outros municípios. Isso não significa que a gente vai deixar de atender, mas estamos torcendo para que os governos dos municípios vizinhos consigam recursos suficientes para melhorar e chegar à mesma qualidade de atendimento médico como Mogi das Cruzes.

   

GR: Então talvez o problema seja organizar melhor os atendimentos na região. O senhor pretende discutir isso junto ao Condemat (Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê)?

Dr. Chico: Eu ainda não participei de nenhuma reunião do Condemat, mas assim que houver uma oportunidade eu participarei. A ideia é fazer um trabalho conjunto com as Secretarias da região no sentido de cada vez mais haver uma melhora no setor de saúde da região. E principalmente fazer um trabalho bastante intenso com relação ao Hospital Luzia de Pinho Melo, que é um hospital regional, para que o local garanta cobertura para o Alto Tietê. Estamos organizando uma reunião com todos os secretários de Saúde da região para discutirmos uma estratégia de trabalho neste ano de 2019.

   

GR: Comenta-se no meio da saúde que a construção de Ambulatórios Médicos de Especialidades na região seria um passo importante…

Dr. Chico: Eu acredito que seria muito importante. A AME é um serviço do Estado e presta alguns serviços de especialização em Mogi das Cruzes e para pacientes de outras cidades da região. Mas a nossa cidade tem setores na Secretaria, como UNICA e outros setores que atendem especialidades. O nosso número de atendimentos de especialidades é muito maior do que a AME atende. E nós temos algumas especialidades a mais do que a AME tem. Então é claro que se o Governo do Estado montar mais uma ou duas AMEs na região seria muito importante para a população do Alto Tietê.

GR: Depois que o senhor assumiu a Secretaria, de que forma a Pasta tem procurado atender os casos mais emergenciais?

Dr. Chico: São casos pontuais. É claro que às vezes você não consegue atender todas as pessoas naquele horário que as pessoas querem. Existe uma fila de atendimento que tem que ser cumprida. A gente acompanha as redes sociais. Quando há algum problema nós procuramos saber o que está acontecendo, se é algum problema de emergência, e procuramos fazer o atendimento o mais breve possível.

  

GR: O senhor citou as redes sociais. Mas qual é o canal certo para fazer reclamações?

Dr. Chico: O canal certo para fazer reclamações é a Secretaria. Nós temos pessoas para atender essas demandas, agilizar alguns tipos de atendimentos, principalmente aqueles que são mais emergenciais.

    

GR: Cerca de 40% do orçamento da Saúde em Mogi é administrado por OSS (Organizações Sociais de Saúde). Como fiscalizar esses contratos?

Dr. Chico: A fiscalização é muito rigorosa. Todo tipo de atendimento, toda fatura, tudo que é feito por uma OSS é feita uma auditoria dentro da Secretaria da Saúde. Para ser pago qualquer tipo de serviço nós temos que fazer uma auditoria correta, porque toda essa documentação vai para o Tribunal de Contas do Estado, que por sua vez cobra da Secretaria determinados tipos de ações que a gente tem que tomar com relação às OSS.

   

GR: A Secretaria deve manter essas parcerias?

Dr. Chico: A tendência natural das coisas são as terceirizações de serviços, porque quando a gente faz um serviço que é ligado simplesmente ao município ou ao Estado existe uma burocracia muito grande. Então a terceirização facilita o trabalho, e é isso que tem acontecido não só aqui, mas no Governo do Estado, no governo Federal. Em Mogi existem algumas OSS trabalhando, mas fazemos uma fiscalização muito rigorosa em relação a isso e o serviço, de uma maneira geral, tem sido satisfatório para a cidade.

   

GR: O senhor tem declarado que seu principal desafio é a construção de uma maternidade. Como está isso?

Dr. Chico: Hoje temos uma maternidade com 38 leitos, que é a maternidade da Santa Casa e que atende toda a população da cidade. Nós temos na região várias maternidades, mas mesmo assim a Santa Casa de Mogi recebe também em torno de 20% a 30% de pacientes de outras cidades para esse tipo de atendimento. Mogi, com 500 mil habitantes, precisa de uma nova maternidade. O prefeito de Mogi, o Marcus Melo, já está fazendo um projeto nesse sentido e brevemente isso entrará em licitação e deve ser construída essa maternidade, que é o grande gargalo hoje da nossa cidade. Esperamos que nesse mandato a construção da maternidade seja iniciada.

    

GR: E a parceria com a Santa Casa, vai permanecer na sua gestão?

Dr. Chico: Santa Casa é um hospital público da cidade. Quem fez a Santa Casa foi a população da cidade há 140 anos. Então, a Diretoria do hospital, junto com a Secretaria Municipal de Saúde, tem que ter um trabalho conjunto e é isso o que vamos fazer. A ideia é que o atendimento melhore cada vez mais, até porque temos alguns serviços que a Santa Casa presta para a Pasta. O Pronto Socorro é gerido e pago pela Prefeitura de Mogi das Cruzes. Temos também alguns projetos que funcionam na Santa Casa, como o Mãe Mogiana, que hoje faz o atendimento de quase 2 mil gestantes por mês.

    

GR: Estudo do Conselho Federal de Medicina mostra que Mogi aplicou pouco mais de R$ 365 por habitante na área da Saúde em 2017. O senhor acha pouco?

Dr. Chico: Isso mostra que a Saúde em Mogi das Cruzes está sendo bem gerida. Nós gastamos em torno de 23% do orçamento com saúde. Tem município gastando 27% e não chega aos pés do nosso serviço. É claro que vamos atrás de emendas, de recursos federais, estaduais, no sentido de trazer isso para a nossa cidade. É o caso do Hospital Municipal, que recebe recursos do governo estadual e federal. Gira em torno de pouco mais de 30% para cada um [município, Estado e União]. Por isso que conseguimos manter o Hospital Municipal.