Miltão: os políticos, Deus e seu túmulo

Vida Loka também ama – Texto I

 

Texto e foto: Pedro Chavedar

 

“Ai já é demais, mas vou falar o primeiro nome: Milton”. Foi assim que começou uma de minhas várias conversas com o mogiano de 66 anos depois que questionei-o sobre seu nome completo.

Corintiano de coração, encontrei Miltão – como é conhecido – na 1º de Setembro, no centro de Mogi das Cruzes. Depois de alguns minutos de conversa, convidei o ex-policial militar e técnico em segurança para uma conversa sobre o que ele quisesse. “A única coisa que eu acho injusta nesse país é a política. Todo mundo que sobe no poder é ladrão” cravou, de cara.

Foram quase sete minutos de bate-papo com críticas aos políticos, a falta de emprego para a terceira idade e ao governo municipal. “A verdade é uma só: política é a pior coisa que existe em nosso país. Aponta um político justo para mim”, desafiou.

Perguntei por que ele achava que todos são ladrões e, rapidamente, o mogiano disse que “subiu no poder, sobe para a cabeça”. Nas eleições, Miltão anula os votos por não acreditar.

Questionou ainda quem será o político que realmente vai brigar pelas pessoas de baixo. Segundo ele, é necessária uma reforma de baixo para cima. “Mudar todas aquelas tranqueiras”.

O assunto caminhou para o lado mais pessoal. Miltão comentou ser viciado em cigarro e que bebe seu “gorozinho”. Disse que nunca foi na Assistência Social porque, para ele, não funciona. “Vejo muita gente pior do que eu que precisa e nunca vi a Assistência Social ajudando”, comentou.

Para o seu futuro, Miltão foi taxativo: “Eu não espero mais nada”. E criticou sua cidade natal. “Esse município que eu nasci e fui criado não vale nada”.

Perguntei sobre a coisa mais importante que ele tem e disse ter um túmulo no cemitério. Já sobre a coisa mais importante que carrega, o mogiano respondeu: “Eu. A minha consciência e o meu aprendizado. Isso aqui eu vou levar para o resto do mundo. Não sei para onde eu vou, mas a verdade é uma só: queira ou não queira, Deus existe”.




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