Mogi ensaia prorrogação de contrato com a CS Brasil

População que utiliza ônibus no Alto Tietê dá opinião sobre o que é preciso melhorar no transporte coletivo

Por Giovanna Figueiredo / Foto: Bruno Arib

O vídeo de hoje traz um retrato do serviço ofertado em Mogi.

O transporte público mogiano tem sido o motim de diversas discussões nos últimos meses. Primeiro pelo aumento da passagem, depois pela concessão da gratuidade para idosos a partir dos 60 anos e agora em decorrência da renovação do contrato com a CS Brasil para concessão do transporte. A GAZETA foi a rua para saber a opinião da população em relação à continuidade da empresa na cidade.

O contrato firmado em 25 de maio de 2004 entre a Prefeitura de Mogi das Cruzes e a empresa Júlio Simões (CS Brasil) termina esse mês. De acordo com a Lei Orgânica do Município, é possível a renovação da concessão por mais 15 anos, mas para isso a empresa precisava manifestar o interesse de continuar operando na cidade com pelo menos 9 meses de antecedência.

No entanto, a empresa está envolvida em ao menos dois processos, um deles em âmbito nacional que envolve o ex-presidente Michel Temer. De acordo com o inquérito instaurado pelo Ministério Público Federal que investiga o pagamento de vantagens ao ex-presidente, a empresa estaria envolvida em decorrência de um consórcio estabelecido em 1998.

A Júlio Simões Logística e a Coletora Pioneira firmaram um contrato para a coleta e processamento de resíduos no Porto de Santos/SP, no valor de R$ 57 milhões, no entanto, cerca de um ano depois da celebração do contrato localizou-se minutas de dois contratos, um deles com a empresa Eliland do Brasil (de Michel Temer), a qual haviam tido uma reunião pouco dias antes com o objetivo de encontrar uma justificativa legal para legitimar a captação de recursos pela Eliland.

O outro processo a qual a empresa responde teve sua primeira denúncia em 2013, no entanto, só foi acatado pela Justiça nesse ano. O processo é em decorrência de suposto direcionamento de licitação do transporte, mediante a promessa de pagamento de R$ 3 milhões ao então prefeito Junji Abe, mais um pagamento mensal de R$ 70 mil também a Junji Abe. Entre os réus consta Fernando Antonio Simões, presidente do grupo JSL.

Em 2019, o vereador Rodrigo Valverde (PT) entrou com pedido de análise da Lei que permite a prorrogação do contrato com a atual empresa. O pedido foi acatado pela Procuradoria Geral de Justiça e segue tramitando junto ao órgão.

PREFEITURA – Procurada, a administração municipal se limitou em informar que “a CS Brasil demonstrou interesse em continuar operando na cidade, portanto, reuniões entre a Secretaria Municipal de Transportes e a empresa têm sido feitas para burcas melhorias à população.”