Moradores do Miguel Badra narram drama de morar no bairro esquecido de Suzano

Dentre os casos mais graves, a mãe de duas cadeirantes

 

Por Gabriel Dias / Foto: Bruno Arib 

   

Moradores do Miguel Badra, em Suzano, convivem diariamente com a dificuldade. Para eles, chuva e sol não são bem-vindos. Se chove, tem lama, se faz sol, tem poeira. Na opinião de quem mora no bairro, o local precisa de mais atenção e um trabalho de urbanização mais intenso.

Na última semana a GAZETA esteve no bairro para conhecer as dificuldades dos moradores. Marinélia, que mora no Miguel Badra, não confessa sua idade, nem mesmo seu nome completo, embora tenha cedido entrevista ao jornal. A mulher, mãe de duas meninas cadeirantes, tem medo do que pode acontecer.

Contida pela emoção de morar num lugar de difícil acesso, Marinélia precisa se desdobrar para cuidar das duas filhas adolescentes que vivem com ela. De acordo com a mãe, passear com as meninas é uma “aventura”, mas não significa que isto seja bom, e sim, que em sua visão, a palavra aventura quer dizer dificuldade.

Embora esboce um sorriso, a mãe diz que sofre com tudo que acontece. Os dois últimos episódios vividos por ela foi ver uma das filhas convulsionar na frente de casa esperando a van escolar. “A ambulância não desceu até em casa para ajudar”, explica. O outro foi a última chuva que não permitiu que o carro escolar chegasse até à residência.

Mato alto, buracos na rua, falta de segurança são o começo dos problemas pontuados pelos moradores. Tem quem fale e exija da atual gestão mais trabalho, por outro lado, os mesmos têm medo de revelar seus nomes, como o caso de um senhor indignado com a situação do bairro.

  

O QUE DIZ A PREFEITURA – De acordo com a gestão de Rodrigo Ashiuchi (PR), “as áreas ocupadas irregularmente naquela região não têm a infraestrutura adequada para a população. Os projetos de reurbanização Badra-Jaguari e Badra-Planalto devem contemplar aquela região. Até lá, a manutenção é realizada nos locais onde é possível fazê-la”, diz a nota e finaliza: “Há pontos onde as máquinas da prefeitura não podem atuar sem autorização ou supervisão da própria Petrobrás, para evitar danos na tubulação; há outros locais que as máquinas nem têm acesso – como nas várzeas ocupadas”.