O ataque à educação

Da Redação

Algum consultor, cacique do PSL, editor da hilária Rede Record ou profissional de marketing e comunicação pública precisa chamar com urgência o presidente Jair Bolsonaro para instrui-lo, mostrando a ele a liturgia que recai sobre um chefe de estado, as particularidades na vida e na agenda de um homem público e os compromissos que são inegociáveis. Entre eles, a educação.

Essa parece ser uma reivindicação muito complexa para os valores que ele representa, um clã capaz de encontrar atalhos verborrágicos para defender o Exército numa ação em que se metralha um músico, na frente da própria família, com 200 tiros no Rio de Janeiro. É pedir demais que Bolsonaro e seus filhos compreendam a Declaração Universal dos Direitos Humanos. O texto, de dezembro de 1948, fala de valorização do ser humano, respeito, liberdade, dignidade, igualdade de direitos entre homens e mulheres, dignidade, progresso social… E trata, no artigo 26, do direito à instrução, à educação portanto.

Até agora, Bolsonaro, desambientado num cambaleante governo provisório, só deixa claro o quanto nem eles mesmos acreditavam que poderiam ganhar a eleição. O presidente precisa deixar o discurso de candidato desequilibrado de lado para se portar como chefe de Estado.

A mais recente insensatez do governo dele não teve como alvo os índios, as minorias… Dessa vez, eles miraram na maioria mesmo: focaram em demonizar a educação, reduzindo verbas e mergulhando o Brasil num mar de atraso, num caminho que pode nos levar grandes retrocessos sociais. O que leva um presidente da república a olhar para a educação como inimiga social? Por que o acesso à universidade da filha de um lixeiro ou do filho de uma empregada doméstica incomodam tanto?

Quem ainda tem a coragem de dizer que Deus é brasileiro?