O atraso político de Itaquaquecetuba

Por Igor Santos / Foto: Arquivo Pessoal

  

Política é a arte ou ciência de governar. Há variações que dizem ser a arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados. No sentido mais comum da palavra, de origem grega, temos a junção da palavra polis (cidade) e tikós (bem comum dos cidadãos). Podemos dizer que política, na forma clássica, é o governo da cidade para o bem comum de todos os cidadãos. Infelizmente, não é o que vemos como prática diariamente. Sobretudo em Itaquá.

Para os gregos, a política acontecia na e para a cidade e com seus moradores (cidadãos). A dinâmica capitalista de emprego/moradia e a dificuldade de locomoção no espaço urbano prejudicam bastante a participação dos cidadãos na vida política. Essa carta branca que políticos têm para fazer política sem os olhos da população também é resultado do sistema econômico que obriga pessoas a se deslocarem para regiões distantes, para garantir sua sobrevivência. Segundo o IBGE, em 2010, mais de 80 mil pessoas saíam diariamente de Itaquá para trabalhar em outros municípios, sobretudo a capital. Ainda assim, a máquina pública é grande responsável pela geração de empregos (em Itaquá um total de 5.300 ao todo) e, consequentemente, a barganha política.

Economia, cultura, educação e emprego são coisas que interferem diretamente na qualidade da política, que tradicionalmente é o espaço das elites e das classes médias, já que exige uma disponibilidade de tempo e dinheiro para acontecer. Por essa necessidade, surgem os chamados “coronéis” com dinheiro e pessoal para fazer “política”. Com os coronéis, alguns fiéis escudeiros “jagunços”, capazes de tudo para satisfazer as vontades destes. Com a expansão das tecnologias surgiram também as redes sociais e portais com pessoas intelectualmente despreparadas, moralmente duvidosas e, sobretudo, sem compromisso real com a cidade. Basta um ano eleitoral no radar que tudo isso vem à tona.

Continuamos, portanto, esperando e lutando pela melhoria dos indicadores sociais e econômicos e que com eles também venha o desenvolvimento político. Nosso atraso é estrutural e só poder ser superado estruturalmente.

 




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