O desafio de ser mãe em Ferraz de Vasconcelos

Levantamento da Fundação Seade aponta atendimento pré-natal da cidade entre os piores da Grande SP

 

Por Renan Xavier / Foto: Bruno Arib

 

Tornar-se mãe não é tarefa fácil. Durante as cerca de 42 semanas de gestação, as grávidas enfrentam um período de profundas transformações físicas que requerem atenção médica, o chamado acompanhamento pré-natal. O procedimento é fundamental para garantir a saúde da criança e da genitora.

No entanto, alguns fatores externos podem tornar os desafios da gestação ainda maiores. Se a futura mamãe for moradora de Ferraz de Vasconcelos, por exemplo, as chances de enfrentar dificuldades no agendamento de consultas será quase duas vezes maior que a média do restante do estado.

Ao menos é o que revela o mais recente levantamento da Fundação Seade, que atualizou o Painel Saúde – Indicadores de Monitoramento e Avaliação. De acordo com o estudo, em 2016 (dados mais recentes), enquanto a proporção de mães que passaram em menos de quatro consultas pré-natal diminuiu para 4% no estado, em Ferraz o índice atinge 7,7% das gestações – pior resultado da região do Alto Tietê e um dos piores da Grande SP.

A moradora do Jardim Romano Daiane Bispo da Silva, 20, está familiarizada ao descaso com a saúde pré-natal do município. Grávida pela terceira vez, ela relata que na primeira gravidez só foi chamada para realizar a ultrassonografia obstétrica semanas depois de ter o bebê. Dessa vez, ela decidiu recorrer à rede privada para não ficar na mão mais uma vez.

“A Saúde não é prioridade desse governo nem dos anteriores. O atendimento é péssimo, praticamente impossível agendar todas as consultas que deveriam ser feitas”, critica Daiane. “Infelizmente, temos que pagar para ter o que é nosso direito”, diz ainda.

A demora para agendar exames básicos como o ultrassom também é atestada pela estudante Janaína Natalícia da Silva, 16, que atingiu o sétimo mês de gestação sem que o exame fosse feito. “A Saúde de Ferraz está uma vergonha, é muito difícil conseguir consulta. Está péssimo”, avalia a jovem.

Janaína, que é moradora da Vila Americano, relata ainda que durante a consulta que fez na última quarta-feira (9), o médico chegou ao atendimento com uma hora de atraso. Como resultado, a futura mãe teve que esperar por mais de três horas pela consulta, o que descreveu como um descaso.

 

OUTRO LADO – Procurada para comentar os indicadores do Seade e as queixas dos moradores, a Prefeitura de Ferraz não respondeu até o fechamento desta edição.




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