O mito começa a ruir

Por Pedro Chavedar / Foto: Arquivo Pessoal 

 

São quase 100 dias de governo. Estive no 1º de janeiro em Brasília e vi de perto o fim da Nova República, conceito defendido pela historiadora francesa Maud Chirio, especialista em história da direita brasileira, que acredita no fechamento de um ciclo iniciado com o fim da ditadura militar e a eleição da extrema-direita.

Entre trancos e barrancos, Jair Bolsonaro vai se virando como pode. Mas o cenário já começa a mudar. Os primeiros números divulgados pelo IBOPE Inteligência sobre o governo já dá uma ideia de como a população enxerga esses primeiros meses.

De janeiro para março, caiu 15% a avaliação ótimo/bom: de 49% para 34%; regular subiu de 26% pra 34%; e ruim/péssimo avançou de 11% para 24%. Cresceu também o número de desaprovações: de 21% em janeiro para 38%; ao passo que caíram as aprovações: de 67% para 51%. Também tivemos queda na confiança no presidente. Em janeiro, 62% confiavam; agora, 49%. Antes, 30% não confiavam; em março, 44% não confiam.

Os números são claros: os brasileiros começam a colocar o pé atrás. Jair Bolsonaro não apresentou um programa de governo com mudanças, não debateu com adversários, enclausurou-se na bolha das redes sociais e atacou ferozmente. Agora, com a política na sua frente, ele não sabe o que fazer – e a população começa a perceber isso.

Sobre a pesquisa, alguns dados merecem ser destaques:

1 – Evangélicos são os que mais confiam no presidente: 56%.

2 – Quem mais confia: homens, moradores do Sul, com renda familiar superior a 5 salários mínimos, mais velhos e que vivem em municípios com até 50 mil habitantes.

3 – Nordestinos são os que mais desaprovam e moradores de cidades com mais de 500 mil pessoas.

4 – Caiu mais a quantidade de homens que avaliam negativamente o governo do que as mulheres.

  

 

Pedro Chavedar tem 30 anos, é mogiano, jornalista e fotógrafo