O que pedem os passageiros do transporte coletivo no Alto Tietê

População que utiliza ônibus no Alto Tietê dá opinião sobre o que é preciso melhorar no transporte coletivo

Por Lailson Nascimento / Fotos: Bruno Arib

Ao menos três cidades do Alto Tietê – Mogi das Cruzes, Itaquaquecetuba e Santa Isabel – devem iniciar processo de licitação para a escolha de novas empresas de ônibus para o serviço de transporte público de suas respectivas populações – Mogi também estuda renovar a concessão da CS Brasil por mais 15 anos.

Nesse sentido o jornal lança uma serie reportagens especiais com a “voz do povo”, onde os usuários falam o que esperam das empresas que devem estrear em suas cidades, ou, então, as mudanças que têm de acontecer, caso as que já atuam nos três municípios permaneçam.

Algumas das respostas já são antecipadas porque vêm estampadas nos rostos de quem “pega” ônibus todos os dias. Regularidades nos horários, menos tempo de espera nos pontos, limpeza dos veículos, mais carros nas linhas para evitar as superlotações, principalmente nos horários de pico. Enfim, uma série de ações que mostrem que as empresas respeitam as pessoas que a enriquecem diariamente com o ato de pagar a passagem. Também deve ser cobrado para que finalizem a cobrança de tarifas abusivas.

A GAZETA foi a rua e conversou com a população sobre as condições do transporte nas três cidades, e em sua maioria os usuários se mostraram insatisfeitos com o serviços oferecidos. Entre as principais reclamações estão as péssimas condições dos veículos, poucos ônibus circulando, além de falta de preparo dos funcionários das empresas. Acompanhe a opinião dos usuários do serviço, que responderam à pergunta: ‘Afinal, o que o usuário do transporte público espera desse serviço?’.

Itaquá procura modernizar serviço, mas fecha portas para alternativos

O vídeo traz um retrato do serviço ofertado em Itaquá

Depois de ser ‘desprezada’ pelo Grupo JSL Logística [um dos maiores da América Latina], Itaquaquecetuba procura encontrar o modelo ideal de transporte público para uma cidade complexa em relação à mobilidade urbana.

Após explorar o serviço por 21 anos, a CS Brasil desistiu do município em 2018, quando repassou seu contrato ao grupo mineiro CSC – representada pela Expresso Planalto. O negócio deixou uma série de dúvidas na população por conta da repentina troca de empresas, mas ‘forçou’ a cidade a abrir licitação para a contratação de uma nova transportadora.

Duas empresas – Expresso Planalto e Viação Itupeva -, entregaram recentemente um diagnóstico para “subsidiar a administração pública no melhor modelo para a prestação do serviço público de transporte coletivo”, conforme a própria prefeitura divulgou em seu edital. Segundo o governo de Mamoru Nakashima (PSDB), ambos estudos estão sob análise da Secretaria Municipal de Transportes, e a previsão de conclusão da licitação está para o 2º semestre.

Dentre os dados solicitados no estduo, a prefeitura quer ter acesso à estimativa de demanda, características das linhas atuais, sugestão de novos itinerários, dimensionamento da frota necessária, entre outras necessidades.

ALTERNATIVOS – Uma das principais dúvidas em relação à nova concessão recai sobre a abertura de mercado para os transportadores alternativos, cuja representatividade é evidenciada na quantidade de veículos envolvidos no serviço: 100 vans circulando de domingo a domingo.

Apesar de já atenderem toda a cidade há cerca de cinco anos, principalmente em locais cujos ônibus comuns não chegam, os alternativos seguem operando na clandestinidade, como reconhece Diran Santiago dos Santos, de 42 anos.

“A prefeitura precisa se posicionar sobre o meio de transporte alternativo que já existe na cidade, que são as vans. Isso é o que a população pede, porém, a prefeitura não quer abrir espaço para as pessoas que já trabalham dessa maneira. Somos clandestinos justamente porque a prefeitura sequer nos chama para conversar sobre o serviço. Ao contrário: todo dia recebemos multas no valor de R$ 3 mil, e isso não é justo. O transporte alternativo é para beneficiar a população, mas estamos sendo tratados como bandidos.”

Vale ressaltar que, em 2017, o motorista Fabiano Manoel Inácio, 35, foi morto com um tiro pelas costas disparado por um perito da Polícia Científica após perseguição policial e de GCMs (Guardas Civis Municipais). Inácio integrava a equipe de transportadores alternativos.

Gazeta Regional

Fundada por Laerton Santos no início dos anos 2000, a GAZETA tem como principal missão integrar as dez cidades que compõem a região do Alto Tietê, tendo como diferencial o olhar crítico que define a linha editorial do veículo. Em busca de contato cada vez mais próximo com seu público, o jornal tem investido na cobertura diária, utilizando as mídias digitais para esse fim.

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