Pão e circo em Ferraz

Editorial

 

Pão e circo em Ferraz

 

A história se repete sempre quando se aproximam as eleições. As prefeituras iniciam uma jornada de festas, shows, inaugurações e outros entretenimentos para desviar a atenção da população dos reais problemas que se avolumam sobre as cidades. Não é diferente em Ferraz de Vasconcelos, que comemorou com uma grande festa seus 62 anos de emancipação político-administrativa. A festa reuniu, ao todo, 350 mil pessoas, com shows de vários cantores que estão em ascensão na mídia, como Lucas Lucco (atuando na nova temporada de “Malhação”), Fernando & Sorocaba, Marcos & Belutti, Sorriso Maroto, Titãs, além dos famosos cantores gospel como Bruna Karla, Tom Carfi e o padre Alessandro Campos. Todos, diga-se de passagem, em alta, portanto, devem ter cobrado cachês na proporção da sua fama.

Em contrapartida, o prefeito Acir Filló tem sido motivo de matérias na mídia nacional pela sua conduta duvidosa como chefe do Executivo ferrazense. Incomodado pelas investigações por parte dos procuradores, ele os chamou de “bandidos e criminosos” em plena entrevista coletiva. Filló é acusado, dentre outras coisas, de envolvimento com o crime organizado, desvio de dinheiro público, contratos suspeitos, licitações fraudulentas, superfaturamento em obras públicas e não-recolhimento do INSS dos funcionários. Úfa!

Por outro lado, os procuradores, que devem cuidar do uso da coisa pública, se sentem ameaçados, inclusive reclamam do afastamento e redirecionamento de alguns para setores que nada têm a ver com eles. Ameaças de morte e denúncias de que alguns advogados estariam exercendo a função de procuradores também rondam a cidade.

Os atos ilícitos dos quais o prefeito é acusado estariam causando um enorme prejuízo ao erário público, com favorecimentos e obras superfaturadas, com denúncias de compra de materiais em excesso para justificar os valores exorbitantes.

Cabe aqui uma reflexão: em ano de eleição, nada como uma grande festa, com direito a artistas de renome, shows pirotécnicos, entre outras diversões para desviar a atenção para a baderna com o dinheiro público.  É a política do pão e circo.