População idosa de Itaquá deve crescer mais de 162% até 2040

Keith Vicente conta as dificuldades encontradas pela população da melhor idade no município

  

Por Giovanna Figueiredo / Fotos: Bruno Arib

      

A população itaquaquecetubense atualmente é de cerca de 360 mil habitantes, e desse total aproximadamente 33 mil são idosos, segundo dados da Fundação Seade – vinculada à Secretaria de Planejamento e Gestão do Estado de São Paulo. A fundação aponta, entretanto, que até 2040 a população idosa deve chegar a 86 mil, um crescimento de mais de 162%. No Alto Tietê, a cidade é a que mais terá crescimento nessa camada da sociedade.

A GAZETA esteve no município para conversar com os moradores e saber se a cidade está preparada para receber os idosos. A reportagem se deparou com a história de Keith Vicente de Freitas, uma moradora do bairro Marengo que tem 60 anos e uma trajetória difícil, que hoje faz com que tenha mobilidade reduzida e encontre muitos desafios ao sair de casa.

“Eu tive cinco AVCs (Acidente Vascular Cerebral). Estou bem, mas encontro dificuldades, porque saúde aqui não tem [serviços precários]. Eu fazia fisioterapia, mas eles [prefeitura] tiraram a van que me levava e agora eu não consigo ir. Quando tem consulta eu tenho que ir de Uber. Falta remédio nos postos, para você ter uma ideia, não tem nem remédio de pressão no posto e eu preciso muito, acabo tendo que comprar”, explica.

Mesmo com as dificuldades, Keith traz um sorriso no rosto e a alegria de estar viva, e diz que como não consegue ir à fisioterapia, faz caminhadas dentro de casa mesmo, para que seus músculos não atrofiem ainda mais. A idosa retrata que era cabeleira antes de sofrer o primeiro AVC, e mesmo depois, ela não parava em casa.

“Eu pegava minha bengalinha e ia para rua, até que um dia eu cai, quebrei a perna e ai não sai mais. Agora, para sair na rua, eu uso a cadeira de rodas, mas é difícil, na calçada não dá para andar, tem que ser pelo canto da rua e é perigoso. Um cadeirante foi até atropelado aqui esses dias”, acrescentou.
Quando questionada sobre a acessibilidade nos transportes públicos, ela diz que os elevadores vivem quebrados e que inclusive já aconteceu com ela, teve que ser retirada do ônibus no colo.

  

RECADO AOS POLÍTICOS – Perguntada sobre qual recado daria ao prefeito Mamoru Nakashima (PSDB), ela pediu mais saúde, atenção para o transporte e finalizou que tudo era ruim, mas que a esperança era de que logo tenha melhoras. O recado serve de base para a classe política que vai dirigir o município pelas próximas décadas, quando a população idosa será cada vez maior.

  

O QUE DIZ A PREFEITURA – A reportagem questionou a prefeitura a respeito das ações desenvolvidas para idosos na cidade, sobre peculiaridades no setor de saúde e também sobre mobilidade e acessibilidade.

Por meio de nota, a prefeitura informou que: “Atualmente cerca de 950 idosos são atendidos no Centro de Convivência da Melhor Idade de Itaquaquecetuba (CCMII). Além de atividades como musculação, ginástica, pilates, alongamento e dança, o Centro de Convivência da Melhor Idade oferece gratuitamente também aula de expressão corporal, dança de salão, coreografia, aulas de artesanato para pessoas com 60 anos ou mais e outras atividades. Os idosos também contam com apoio médico e outros benefícios ao longo do ano.”

Atualmente essas políticas para desenvolvimento da melhor idade atendem apenas 2,8% da população.

Sobre as demais questões abordadas, como saúde, a prefeitura não deu nenhum retorno.

  

Urbanista fala sobre desafios para o futuro: “A cidade não está preparada”

ESPECIALISTA – Lucas Moraes fala sobre mobilidade e acessibilidade

      

Mobilidade e acessibilidade foram pontos apontados por Keith como problemas da cidade em relação à população idosa. Diante disso, a reportagem conversou com o arquiteto Lucas Moraes, que explicou a situação atual da cidade e o que precisa ser melhorado para receber esse aumento da população idosa.

“Com toda certeza o município de Itaquaquecetuba não está preparado urbanisticamente para receber essa nova demanda. Será necessária adequação de calçadas, prédios públicos e particulares, ajuste no sistema viário e criação de áreas de convívio para esse público, assim como serviços de inclusão e conscientização da sociedade. A lei de acessibilidade NBR 9050 possui vários exemplos a serem seguidos. A melhoria do sistema viário municipal, essa questão será desafiadora aos próximos governos”, opinou Moraes.




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