‘Por decisão estratégica’, CS Brasil deixa de operar transporte em Itaquá

Depois de 20 anos, empresa mogiana repassa serviço

  

Por Lailson Nascimento / Foto: Bruno Arib

  

Desde o dia 1º, ônibus do transporte coletivo de Itaquaquecetuba que até então ostentavam adesivos da empresa mogiana CS Brasil deixaram de circular com a marca do poderoso “Grupo JSL”. Após ficar quase vinte anos à frente do serviço, a empresa decidiu repassar a responsabilidade do modal de transporte a um grupo mineiro.

A decisão, classificada pela própria CS Brasil como “estratégica”, ocorre às vésperas da licitação para um novo contrato. De acordo com a Prefeitura de Itaquaquecetuba, a concessão da empresa mogiana que foi repassada ao grupo mineiro vence em 17 de dezembro de 2018.

Embora possa optar por contrato emergencial, a gestão de Mamoru Nakashima (PSDB) garante que está finalizando o escopo do novo contrato para apresentar à população em audiências públicas e, na sequência, dar início à licitação. Contudo, o tucano não informa prazos para a abertura da licitação. 

Apesar da nova empresa, de nome Expresso Planalto, confirmar que está na cidade desde o dia 1º, a prefeitura só oficializou a troca de titularidade do serviço no dia 6, através de publicação no Diário Oficial do Município.

 

POSIÇÕES – O governo não soltou uma nota sequer sobre o caso, mas para a GAZETA afirmou que aguarda representantes do grupo mineiro na próxima semana.

A reportagem também falou com o supervisor de contas do grupo CSC Transporte e Logística, Gabriel Colaço Fonseca. Segundo ele, a empresa Expresso Planalto – que pertence ao grupo CSC – assumiu toda a estrutura deixada pela CS Brasil, incluindo funcionários, frota de veículos e até a garagem da antiga concessionária. Fonseca também afirmou que a empresa vai participar da licitação que se aproxima.

Já a CS Brasil enviou a seguinte nota: “A CS Brasil deixou de operar o transporte urbano de pessoas em Itaquaquecetuba, a partir do dia 01 de novembro de 2018. Por decisão estratégica, a empresa optou por vender sua operação para a empresa Expresso Planalto, tendo todo esse processo de transferência sido aprovado pela Prefeitura de Itaquaquecetuba. Todos os ônibus e os colaboradores foram absorvidos pela Expresso Planalto”, informou a empresa do grupo JSL.

 

Expresso Planalto comprou a Quatai do Grupo JSL

Para chegar ao poder do grupo CSC Transporte e Logística, que possui sede em Minas Gerais, o contrato de concessão do transporte coletivo de Itaquaquecetuba enfrentou um arquitetado processo econômico.

De acordo com o que foi apurado pela reportagem, o grupo mogiano JSL S.A – que é proprietário da CS Brasil – abriu a empresa chamada Quatai Transporte de Passageiros no início de setembro. Com CNPJ garantido, a JSL procurou o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) no mesmo mês para manifestar o seu interesse de vender a Quatai para o grupo CSC. A transação foi aprovada pelo órgão no dia 9 de outubro.

Na sequência, foi a vez das empresas CS Brasil e Quatai Transporte procurarem a Prefeitura de Itaquaquecetuba para solicitarem a aprovação da troca de titularidades do contrato de concessão junto à administração municipal. O governo de Mamoru Nakashima (PSDB) aprovou a transação, oficializando a decisão no dia 6 de novembro.

  

OUTRAS CIDADES – Além do serviço em Itaquaquecetuba, a CS Brasil também detém contratos de transporte coletivo nas cidades de Guararema (monopólio) e Mogi das Cruzes, onde divide a operação com a Princesa do Norte. Questionada se pretende vender as operações nesses outros municípios, a empresa silenciou.

 

QUEIXAS – Nos últimos anos, os usuários do transporte de Itaquá se queixavam da falta de qualidade do serviço prestado pela empresa. A gota d’água foi em 18 de outubro, quando um motorista de transporte por aplicativo e a sua passageira morreram após o veículo ser atingido por um ônibus desgovernado da CS Brasil, na Estrada de Santa Isabel.

Gazeta Regional

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