Pré-candidatos a prefeito de Itaquá avaliam denúncias contra Mamoru

Duas comissões processantes foram abertas na Câmara Municipal para investigar denúncias contra atual prefeito

 

Por Lailson Nascimento / Foto: Bruno Arib

 

A Câmara Municipal de Itaquaquecetuba aprovou na terça-feira (9) a abertura de processo de impeachment contra o prefeito Mamoru Nakashima (PSDB). Por 10 votos a favor e 9 contrários, duas denúncias protocoladas por munícipes foram aprovadas e serão investigadas por Comissões Processantes. O chefe do Executivo é acusado de cometer irregularidades na contratação de empresas que prestam serviços de coleta de lixo e de merenda escolar. O tucano nega as irregularidades.

Com isso, duas comissões foram criadas para investigar o caso e apresentar um relatório final sobre a denúncia. Mamoru terá até dez dias corridos para apresentar sua defesa. Durante esse tempo, a comissão buscará provas.

Terminados esses prazos, cinco dias serão dados para que acusação e defesa apresentem suas alegações e um relatório final seja apresentado ao presidente da Câmara, que convocará uma sessão extraordinária para o julgamento. Nesta etapa é preciso o voto de dois terços dos membros da Câmara para que ocorra a cassação do mandato eletivo do prefeito. Como são 19 parlamentares em Itaquá, o número exato é de 13 votos.

 

OPINIÃO – Diante da situação, a GAZETA enviou questionamentos a dois políticos de Itaquá que já se declaram pré-candidatos a prefeito, no intuito de colher a opinião de cada um deles sobre o caso de Mamoru. Confira as perguntas e depois as respostas de cada pré-candidato.

1 – Nos bastidores políticos, comenta-se que o processo não passa de uma maneira de desgastar o grupo político que está na situação, haja vista que a maioria absoluta dos vereadores se declaravam da base até o ano passado. Como o senhor avalia essa situação?

2 – Itaquá já vem, há algum tempo, passando por uma crise política. De que forma essa situação mais recente, isto é, o processo de impeachment, influencia nas eleições de 2020?

3 – Por fim, em linhas gerais, porque Itaquá chegou a esse ponto na questão política? Como pré-candidato, o que fazer para mudar esse cenário?

 

RESPOSTAS DE EDUARDO BOIGUES – (Progressistas)

 

1 – Eu avalio a oposição como normal. Quando da reeleição do prefeito Mamoru, em que a população depositou nele uma grande confiança expressa nesses mais de 100 mil votos, eles acreditavam que o atual prefeito iria governar para a cidade, para o povo. E na verdade perceberam que ele está governando para si próprio, com interesses próprios. Então declaram oposição no intuito de defender e representar, definitivamente, a população que tanto precisa, pois a cidade está completamente abandonada, um verdadeiro caos.

2 – Essa crise política que vem se instalando na nossa cidade é efetivamente com relação à má gestão do atual prefeito. Mas isso não influencia em nada nas eleições de 2020, pois penso que o atual prefeito, que é alvo do processo de cassação, não será mais candidato. Torna-se completamente aberto as eleições de 2020.

3 – Por ter um prefeito e secretários que administram por interesses próprios e não pensando na cidade. São sete anos de omissão, uma cidade completamente abandonada, chegando à beira do caos em todos os sentidos, seja na segurança, saúde, educação, em todas as áreas.

 

RESPOSTAS DE ADERVALDO SANTOS – (PSOL)

 

1 – A perda da maioria dos vereadores se deve à dificuldade e deficiência do governo de dialogar com os vereadores. Já que todos são ideologicamente alinhados ao governo ou indiferentes a qualquer ideologia, assim, o governo não deveria ter dificuldade em compor com os vereadores.  Deve ser acrescentado que essa dificuldade se dá em parte em razão do distanciamento de pessoas importantes no trato com a Câmara.

2 – A atual crise política de Itaquá é, antes de tudo, um movimento de pessoas da política da cidade preocupadas com a sobrevivência política em 2020 e sabem que não há reeleição do Executivo e buscam alguém que possa ser “’vendido” para o povo como “o novo”, assim, muda para deixar tudo como está.  Isso sem dúvida terá desdobramento nas eleições de 2020, influenciando na divisão do poder institucional, já que o grupo do prefeito irá com um candidato alinhado à administração e outro grupo irá migrar para outro nome. Não há registro na história política de Itaquá de um racha do grupo do prefeito nas proporções atuais e com um número tão grande de vereadores.

3 – Itaquá chegou a esse ponto porque a política praticada aqui é uma política baseada no personalismo de pessoas indiferentes aos problemas da cidade e que não têm raízes na cidade. E a relação dos políticos com a população é de assistencialismo e não há uma relação de representatividade institucional. O fato de não ter uma oposição sistemática e pragmática, que efetivamente fiscalize, cria um ambiente que permite abusos por parte dos representantes, prejudicando a qualidade da democracia e da representatividade.  Para mudar esse cenário é necessária a participação da popular de maneira efetiva, por isso devemos buscar o diálogo nos bairros direto com a população e em entidades da sociedade civil.

Gazeta Regional

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